Rodrigo Félix Leal
Rodrigo Félix Leal

No Paraná, oposição cola imagem de 'governistas' em Cida e Ratinho Jr.

Em debate, governadora e ex-secretário se tornam alvo por terem integrado o governo de Beto Richa, do PSDB

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2018 | 20h26

CURITIBA - Em debate promovido pelo jornal Gazeta do Povo nesta terça-feira, 21, os candidatos ao governo do Paraná João Arruda (MDB) e Dr. Rosinha (PT) aproveitaram para criticar pontos da gestão do ex-governador Beto Richa (PSDB) e tentaram “colar” a imagem do tucano aos candidatos Cida Borghetti (PP), sucessora do ex-governador, e Ratinho Junior (PSD), que integrou o secretariado do tucano.

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“Você, eleitor, vai ter que escolher se vai votar em um candidato de oposição ou se vai votar no Secretário do Beto Richa ou na sua vice”, disse Arruda em referência aos seus opositores. O candidato ressaltou ainda que pretende retomar políticas implantadas por seu tio, o senador e candidato à reeleição Roberto Requião (MDB), que governou o Estado por três mandatos.

Rosinha também elogiou políticas implantadas em âmbito nacional pelos governos petistas, de Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril pela Operação Lava Jato, e Dilma Rousseff, que sofreu um processo de impeachment no seu último mandato. “Quero governar o Paraná como Lula governou o Brasil, ele nunca perguntou a nenhum governador o partido em que ele estava”, disse em um trecho, insinuando que Richa – e, por consequência, Cida e Ratinho – beneficiaram em sua gestão apenas prefeitos aliados do governo.

Falando de propostas para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, a qual Ratinho chefiou, Arruda foi duro nas críticas, reafirmando que prefeitos só conseguiam repasses da pasta em troca de apoio ao governo. “Geralmente era uma política de ‘toma lá, dá cá’, o prefeito entrava no Palácio (Iguaçu) e já pediam para ele mudar de partido [...]. E todo mundo sabe que o Beto Richa não gosta de trabalhar, ele é preguiçoso, e quem mandava no governo era o Ratinho Junior”, afirmou, tentando colar a imagem do tucano a do candidato do PSD.

Os oposicionistas também citaram episódios envolvendo a gestão Richa, como investigações sobre superfaturamento de obras de escolas, e o confronto entre servidores e policiais, que acabou com 200 feridos, no dia 29 de abril de 2015, quando da votação pela Assembleia Legislativa da mudança do regime de previdência do funcionalismo. “A primeira coisa que a gente tem que fazer é não bater em professor”, afirmou Rosinha. “Do gabinete de Ratinho Junior, que mandava no governo, não saiu um comentário (na ocasião)”, completou Arruda.

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Nos debates promovidos pela Gazeta do Povo, os candidatos foram sorteados para participar de confrontos em duplas. Nesta segunda-feira, 20, Cida e Ratinho participaram do programa. Cada postulante ao cargo tem 45 minutos para expor suas ideias, sem mediação, podendo ser interrompido apenas pelo adversário.

Mulheres. Em resposta a questionamento enviado pela governadora Cida, ambos os candidatos trataram de políticas de prevenção de crimes contra a mulher. O tema tem sido bastante debatido depois que, há um mês, a advogada Tatiane Spitzner foi encontrada morta ao cair da sacada do apartamento onde morava, em Guarapuava, região central do Paraná. O marido dela, Luis Felipe Manvailer, está preso, acusado de provocar a morte da esposa.

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Rosinha prometeu implantar uma pasta dedicada às mulheres. Também se comprometeu em investir na ressocialização de homens que praticam esse tipo de ato e formar convênios para acolhimento de mulheres paranaenses vítimas de violência doméstica em outros Estados da Federação. Arruda destacou que tem uma mulher como candidata a vice na sua chapa – a professora Eliana Cortez –, mas preferiu tratar de políticas na área de segurança pública em geral, criticando novamente a gestão Richa, que, segundo ele, deixou a área sucateada.

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