No MS, 19 indiciados por morte de cacique em 2011

Dezenove pessoas responderão pela morte do cacique guarani-caiová Nísio Gomes, ocorrida durante uma invasão de pistoleiros encapuzados e armados ao acampamento Tekoha Guaiviry, no município de Amambaí, em Mato Grosso do Sul, em novembro de 2011.

FÁTIMA LESSA / CUIABÁ, ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h04

A denúncia foi feita pelo Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) e aceita pela juíza federal Lisa Taubemblatt. Entre os réus estão fazendeiros, advogados e um secretário municipal, além do proprietário e funcionários de uma empresa de segurança privada. Sete réus estão presos desde 2011.

O cacique foi morto depois que o acampamento, que fica na fronteira entre os municípios de Amambaí e Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, bem junto à fronteira entre Brasil e Paraguai, foi invadido por cerca de 40 homens armados. Um dos filhos do cacique disse que pistoleiros invadiram o acampamento e atiraram na cabeça de seu pai. Em seguida, o corpo foi arrastado e jogado em cima de uma caminhonete. Levado pelos pistoleiros, até hoje nunca foi localizado.

O MPF-MS concluiu que, mesmos sem o corpo ou restos mortais, há indícios suficientes que apontam o homicídio qualificado do cacique Nísio.

Desrespeito. O crime repercutiu internacionalmente, destaca o MPF. "Colocou em foco o ambiente onde imperam o preconceito, a discriminação, a violência e o constante desrespeito a direitos fundamentais dos 44 mil guarani-caiová e guarani-nhandeva que vivem em Mato Grosso do Sul", diz um trecho da denúncia do MPF.

Dos 19, três respondem por homicídio qualificado, lesão corporal, ocultação de cadáver, porte ilegal de arma de fogo e corrupção de testemunha; quatro por homicídio qualificado, lesão corporal, ocultação de cadáver, porte ilegal de arma de fogo, e 12 por homicídio qualificado, lesão corporal, quadrilha ou bando armado e porte ilegal de arma de fogo.

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