No MP, mulher de procurador investiga ministros e senadores

Vista como 'discreta' por colegas, Cláudia Sampaio virou alvo da CPI do Cachoeira após ter seu nome citado por delegado

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2012 | 03h08

Apontada por colegas do Ministério Público Federal como "discretíssima" e "competente", a subprocuradora-geral da República Cláudia Sampaio Marques tornou-se alvo dos parlamentares da CPI do Cachoeira.

Poucos fora do Ministério Público Federal sabem que Cláudia, mulher do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, tem atuação destacada há pelo menos sete anos nas principais investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) contra ministros, deputados e senadores.

A subprocuradora está sob ameaça de depor na comissão depois que, na última terça-feira, o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Sousa disse ter enviado ao Ministério Público Federal a investigação da Operação Vegas quando se deparou com conversas envolvendo o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e os deputados Sandes Júnior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO).

Foi Cláudia que, em setembro de 2009, decidiu não levar adiante as investigações por entender que não havia elementos concretos sobre o caso. Em nota, ela afirma que, àquela altura, o caso seria arquivado pelo STF. A subprocuradora, então, disse que atendeu a um pedido da PF para segurar a investigação, não o arquivando sumariamente no Ministério Público. Diante da decisão, deputados e senadores governistas querem trazê-la à CPI.

Confiança. Desde a gestão do ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, iniciada em meados de 2005, ela conta com a confiança do MP para tocar as investigações criminais mais sensíveis contra ministros de Estado e parlamentares. A parceria foi mantida na gestão do marido, que vai até julho de 2013. Pelas mãos dela já passaram ou estão casos envolvendo o atual vice-presidente Michel Temer, o ex-ministro Antonio Palocci e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

Por designação de Antonio Fernando, ela tocou, com mais três procuradores, parte da investigação do escândalo do mensalão. Tomou, por exemplo, o depoimento do empresário Marcos Valério e preparou terreno para que, antes da conclusão das investigações pela PF, Antonio Fernando oferecesse denúncia contra os 40 envolvidos no STF.

"Ela goza e sempre gozou da minha estrita confiança dentro do Ministério Público Federal", afirmou Antonio Fernando.

Procuradores mais jovens consideram Cláudia e Gurgel conservadores em matéria de investigação criminal. Pessoas ligadas aos dois, contudo, afirmam que a dupla é cautelosa. Eles só pedem a abertura de apurações no STF ou no Superior Tribunal de Justiça se tiverem, na avaliação de uma pessoa que goza da intimidade do casal, "elementos concretos". "A gente na primeira instância é mais ousado mesmo", admitiu um procurador da República que trabalhou no caso do mensalão. / R. B.

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