No interior do Paraná, aplausos, beijos e abraços de 'plateia amiga'

Dilma participa de entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida e diz que fez 'pacto pela ética na política'

Lisandra Paraguassu, enviada especial / Ponta Grossa, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2013 | 02h06

No dia em que as pesquisas mostraram a queda abrupta da aprovação do seu governo, a presidente Dilma Rousseff pôde aproveitar um momento de aparente popularidade em uma cerimônia organizada para não criar nenhum constrangimento a ela. Ao entregar 1,5 mil casas do programa Minha Casa, Minha Vida, a presidente ouviu ovações, assovios, gritos por seu nome e distribuiu beijos e abraços para uma plateia formada principalmente por pessoas ligadas ao PT, à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e beneficiários do programa.

A presidente chegou a Ponta Grossa, a 114 km de Curitiba, pouco antes do meio-dia. De acordo com assessores, não tinha visto ainda a pesquisa que registra a queda da aprovação do governo de 54% para 31% e sua rejeição como candidata à reeleição subir para 44%, a maior entre todos os possíveis presidenciáveis. Aparentemente bem-humorada, Dilma entregou um dos imóveis, mobiliado, ao casal Marlene e João Odair da Silva, que no ano passado perdeu a casa em uma tempestade. Antes de subir ao palco, fugiu do protocolo e foi abraçar alguns beneficiários do programa, distribuiu beijos e afagos.

A quase um quilômetro do palanque algumas dezenas de manifestantes, de sindicatos e do movimento pelo passe livre do Paraná, faziam o seu protesto, mas não conseguiram passar pela forte segurança da Presidência e nem sequer foram vistos por Dilma.

Ao elogiar a entrega do "lar" para quase 1,5 mil famílias em quatro conjuntos residenciais em Ponta Grossa, Dilma aproveitou para fustigar os governos anteriores. "Temos que fazer um grande esforço porque durante mais de 30 anos não se investiu em habitação popular. Se me perguntarem por que eu direi que é porque a conta não fechava, porque queriam que as pessoas comprassem uma casa de R$ 40 mil, R$ 50 mil, com uma renda de um ou dois salários mínimos", afirmou.

Dilma fez questão de lembrar aos presentes os pactos que propôs após o início dos protestos nas ruas. "Eu fiz um pacto pela ética na política, por valores republicanos, pela garantia de que o dinheiro público não se desvie de nenhuma outra finalidade que não seja servir a população", afirmou. "Eu fiz um pacto para garantir que vai ter médico no País e que vai ter saúde de qualidade e infraestrutura adequada. Sobretudo, eu fiz um outro pacto: eu fiz um pacto pela qualidade, também, do transporte urbano neste país."

Movimentos sociais. Em um período de baixa após o início dos protestos, em junho, a presidente fez questão de afagar os movimentos sociais, com quem retomou há pouco tempo uma interlocução pessoal, antes relegada à Secretaria-Geral da Presidência. "Nós vivemos em um país especial, onde conversamos e temos diálogo com os movimentos sociais", disse, ao cumprimentar representantes de movimentos pela moradia.

A presidente falou por mais de meia hora, em um discurso em que aproveitou para defender os programas sociais de seu governo, como o próprio Minha Casa, Minha Vida.

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