No início do mês, 'Estado' mostrou abandono das obras

Estruturas de concreto completamente estouradas, vergalhões de aço abandonados, rachaduras em diversos trechos e canteiros de obras fantasmas são o cenário atual da transposição do Rio São Francisco, conforme revelou o Estado no dia 4 de dezembro. Durante três dias a reportagem percorreu cerca de 100 quilômetros da transposição no Estado de Pernambuco, onde começa a obra. Nos dois eixos à parte sob responsabilidade da iniciativa privada a obra está paralisada. Apenas o Exército continua atuando na parte inicial do canal, que é de sua responsabilidade.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de dezembro de 2011 | 03h03

Cenário de propaganda eleitoral da campanha da presidente Dilma Rousseff, a obra vem sendo abandonada por empreiteiras desde o final do ano passado. Em meio a brigas por revisões de contrato, as empresas foram diminuindo o ritmo de trabalho até abandonar por completo o sertão. Alojamentos de operários viraram cidades fantasmas, empregos sumiram e comerciantes que investiram em busca de lucro ficaram com o prejuízo.

O Ministério da Integração Nacional admitiu que a obra da transposição chegou a contar com 9 mil trabalhadores e atualmente tem apenas 3,8 mil pessoas atuando nos canteiros.

O trabalho feito desde 2007 já começa a se perder. Em um dos trechos visitados, no lote 10, cerca de 500 metros de concreto estão totalmente quebrados e soltando do solo na divisa das cidades de Betânia (PE) e Custódia (PE). A construção terá de ser refeita para a água do São Francisco passar. No lote 9, no município de Floresta (PE), parte dos canais já começa a apresentar rachaduras, enquanto no lote 1, em Cabrobó (PE), o abandono das obras fica evidente diante da movimentação do Exército a 10 quilômetros dali.

Na ocasião, o ministro Fernando Bezerra Coelho atribuiu os problemas de atraso na transposição a projetos básicos "frágeis" e afirmou que "a obra já não cabia dentro dos contratos". Prometeu que no segundo semestre de 2012 o ritmo das obras seria acelerado e manteve para 2015 o prazo de entrega completa da transposição. / EDUARDO BRESCIANI, ESTADÃO.COM.BR

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