No horário eleitoral, Aécio prioriza Nordeste e Dilma critica PSDB

Presidente também mostrou feitos de seu governo. Tucano mostrou filho do ex-governador Eduardo Campos lendo carta de apoio à candidatura

Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2014 | 22h01

Brasília - No horário eleitoral gratuito de televisão exibido na noite desta segunda-feira, 13, os presidenciáveis Dilma Rousseff e Aécio Neves usaram estratégias diferentes. O candidato do PSDB deu foco à Região Nordeste, onde teve baixo índice de votos no primeiro turno. Já Dilma criticou o tucano e mostrou feitos de seu governo.

Já no início do programa da candidata do PT, um locutor afirma que, com crise ou sem crise, Dilma defende o emprego e o salário. Uma apresentadora diz que Aécio já afirmou que tomaria medidas impopulares como presidente. "É muito difícil não se indignar quando o meu adversário fala em medidas impopulares. Se são impopulares, é porque são contra o povo", disse Dilma. "O Brasil não pode voltar para aquele passado em que era governado por uma elite e para uma elite", completou a presidente.

O programa reproduziu uma gravação de Armínio Fraga, presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso e futuro ministro da Fazenda em um eventual governo Aécio. Na gravação, o economista diz que reduziria a função dos bancos públicos e termina afirmando que não sabe "o que sobraria" dessas instituições "no final da linha".

Após o áudio, Dilma ressalta a importância da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Hoje, os bancos públicos subsidiam várias ações e programas sociais. Sem esse apoio, tudo ficaria muito mais caro para a população", disse a candidata.

Depois que são citadas realizações do governo Dilma, como obras de infraestrutura e a construção de moradias do programa Minha Casa Minha Vida, entra uma breve inserção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O meu segundo mandato foi melhor que o primeiro. Com Dilma, tenho certeza que vai ser assim também", afirmou.

No programa, Dilma ainda prometeu fazer "profundas mudanças" no ensino médio, ampliar a rede de escolas de ensino integral e criar a Casa da Mulher Brasileira, voltada ao atendimento de vítimas de violência doméstica.

Campos. O horário reservado a Aécio Neves, por sua vez, deu foco à região Nordeste. A primeira metade do programa mostra o candidato do PSDB em Pernambuco, onde visitou e recebeu o apoio dos familiares de Eduardo Campos, morto em acidente aéreo há dois meses.

Em um comício, João Campos, filho do ex-candidato à Presidência pelo PSB, lê uma carta de sua mãe Renata Campos endereçada a Aécio. "O Brasil pede mudanças, o governo que aí está tornou-se incapaz de realizá-las. Aécio, acredito na sua capacidade de diálogo e gestão", diz um trecho do documento.

O tucano então toma a frente do palco e faz um discurso inflamado, fazendo referência a Campos. "Não me lembro de ter vivido um momento de tamanha emoção como esse que vivo hoje. Hoje, eu sinto na minha alma e no meu coração a força dos exemplos de Pernambuco e de Eduardo Campos", disse. "Não vamos, hoje e nunca mais, desistir do Brasil", finalizou o tucano.

Uma série de propostas de desenvolvimento econômico e social direcionadas ao Nordeste são então apresentadas. Para a infraestrutura, foram prometidas parcerias público-privadas para a construção de ferrovias, estradas e hidrovias. Aécio também prometeu ampliar o Bolsa Família, implantar o programa Poupança Jovem, que estimularia o desenvolvimento de estudantes de escolas públicas, além de dar prioridade aos estados do Nordeste na implantação de escolas de tempo integral.

O programa do PSDB mostrou ainda o apoio dado por Marina Silva a Aécio Neves no último domingo. Após mostrar a declaração de apoio de Marina, Aécio agradece à ex-candidata ao Palácio do Planalto e ressalta que a parceria não foi firmada com contrapartidas. "Marina não pediu cargos. Pediu o cumprimento de propostas que temos em comum", afirmou o tucano.

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