No Congresso, presidente faz jus a 'troféu bambolê'

Dilma está próxima de encerrar seu primeiro ano de mandato com sucesso nas principais votações no Legislativo e mostrar que tem jogo de cintura

DENISE MADUEÑO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h07

Considerada uma iniciante na política, a presidente Dilma Rousseff driblou as insatisfações no relacionamento com sua base aliada e conseguiu, nos primeiros meses de mandato, aprovar temas espinhosos no Congresso, vencendo as batalhas essenciais para o desenvolvimento da gestão.

Concluída a votação da proposta de Desvinculação das Receitas da União (DRU) no Senado nesta próxima semana, Dilma terá direito ao "prêmio bambolê". Afinal, foi esse o presente dado a ela, quando ainda era ministra da Casa Civil e candidata à Presidência, pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), para lhe recomendar mais prática no jogo de cintura político com os aliados e com os adversários.

Nunca na história mais recente do País, a presidente ficou livre, como agora, de negociar o valor do salário mínimo no início de ano, por exemplo. Dilma conseguiu aprovar, em fevereiro, um projeto com as regras de reajuste até 2014, ou seja, por todo o seu mandato. A oposição reclamou, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) garantiu a validade da regra, livrando o Planalto de uma negociação tradicionalmente difícil com as centrais sindicais e os partidos.

Tramitação no Senado. Considerado fundamental para a administração dos recursos orçamentários, a DRU será renovada por mais quatro anos, se for confirmada a tendência de aprovação pelos senadores nesta semana, em uma tramitação recorde.

Desde a primeira renovação da DRU, em 1995 ainda com outro nome, o menor tempo entre o envio da proposta ao Congresso e a sua aprovação foi de 6 meses e 9 dias. No entanto, a despeito do ceticismo dos aliados, a proposta caminha para ser aprovada em apenas 4 meses.

Os aliados chegaram a ensaiar uma movimentação para aprovar a renovação da DRU por dois anos, agora, para deixar a presidente refém de negociações em 2013, quando seria necessária nova prorrogação. Dilma impediu a manobra. A DRU permite a presidente separar 20% das receitas para aplicar como quiser, livre das vinculações obrigatórias. São recursos da ordem de R$ 62,4 bilhões.

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