No blog, Dirceu fala em 'farsa do mensalão'

Segundo ex-ministro, PT está certo em traçar objetivos para 2013, entre os quais 'provar que não houve compra de votos' e apoiar a regulação da mídia

Bruno Lupion - O Estado de S.Paulo,

06 de novembro de 2012 | 02h07

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu apoiou ontem declaração do presidente nacional do PT, Rui Falcão, feita na semana passada, de que o partido seguirá mobilizado para demonstrar que nunca houve a compra de votos denunciada no mensalão.

Em artigo publicado no seu blog, Dirceu afirmou que a desconstrução da "farsa do mensalão" será uma das três prioridades do PT para 2013. As outras duas serão a reforma política e a regulamentação da mídia.

"O partido faz muito bem em eleger esta regulação (da mídia) como uma das principais metas a serem conquistadas em 2013, ao lado da reforma política tão imprescindível ao País e da luta para desconstituir a farsa do mensalão", escreveu o ex-ministro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.

Falcão havia dito, em entrevista à mídia estrangeira no dia 31, que o PT continuará negando a existência do esquema de desvio de recursos públicos para compra de apoio político, como denunciado pelo procurador-geral da República e aceito pelo STF. "Continuamos negando e vamos mostrar que nunca houve compra de votos", disse o dirigente petista.

O artigo de Dirceu expõe a disputa dentro do PT quanto ao teor da nota oficial a ser divulgada pelo partido a respeito do julgamento. Em posição oposta à do ex-chefe da Casa Civil está o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, para quem o partido não deve questionar o resultado do julgamento, na sua opinião "devido e legal" e com resultado "legítimo".

Em artigo publicado na semana passada, o governador gaúcho disse que o PT desistiu de mobilizar os militantes na defesa de um "julgamento justo" no STF pois sabia que as bases "desconfiavam que algumas contas deveriam ser ajustadas".

A nota oficial do PT sobre o mensalão, inicialmente aguardada para a última quinta-feira, foi adiada. Oficialmente, Falcão disse que o partido preferia aguardar a definição das penas dos condenados, entre eles Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares - o que deve ocorrer até o dia 18. "Não sabemos ainda se os companheiros vão ter penas privativas de liberdade", justificou.

Nos bastidores, porém, líderes petistas querem que o partido discuta melhor o teor da nota e a conveniência de divulgá-la. Membros da Executiva afirmaram ao Estado que o ânimo de divulgar o documento arrefeceu com as vitórias nas eleições municipais. O adiamento também atendeu a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. / COLABOROU FERNANDO GALLO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.