Leo Martins/Estadão
Leo Martins/Estadão

No berço de Fernando Haddad, petismo é a exceção

Moradores do Planalto Paulista, na zona sul da capital, rejeitam partido e reclamam da segurança

Adriana Ferraz e Carla Bridi, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 04h00

Localizado na zona sul de São Paulo, o bairro do Planalto Paulista, onde o candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad, cresceu e atualmente reside, permanece com a característica de reduto antipetista. Se, em anos anteriores, isso significou eleger alguém do PSDBAécio Neves recebeu 87% dos votos da região em 2014, enquanto José Serra garantiu 77% dos votos em 2010, ambos contra Dilma Rousseff no segundo turno –, atualmente quem sai ganhando é Jair Bolsonaro, do PSL.

A rejeição pelo PT se alia com a ausência de segurança que os moradores do Planalto Paulista relatam. O bairro é marcado pela prostituição, que se instalou nas esquinas da Avenida Indianópolis e na frente das residências, decorrente da falta de movimento na região. Faixas penduradas em algumas ruas alertam para as câmeras instaladas pelos moradores, 60 no total.

Quando prefeito, Haddad autorizou a nova Lei de Zoneamento na região, mudando para Zona Corredor 1 a Avenida Ceci e a Avenida Afonso Mariano Fagundes – esta última endereço do ex-prefeito. “A gente precisa de alguém para ordenar as coisas. Não se segue mais as regras, bandidos podem fazer o que quiserem”, afirma o morador, e chaveiro do bairro há 30 anos, Francesco Bruno.

Apesar de não votar em Haddad, o chaveiro não desgosta do candidato. “Para mim, ele é o candidato certo no partido errado. Passou na minha loja, ficou conversando com a gente. Ele é muito humilde”, afirma.

Na periferia. Há dois anos, quando tentou a reeleição na Prefeitura de São Paulo e perdeu, Haddad foi derrotado em toda a cidade – João Doria (PSDB) venceu em 56 zonas e Marta Suplicy (MDB), nas duas restantes. Neste ano, Haddad tentou recuperar o “chamado cinturão vermelho”, mas enfrentou, desta vez, não a força de um tucano, mas de Jair Bolsonaro (PSL), que recebeu apoio em quase toda a cidade com o discurso da segurança pública.

Em Parelheiros, distrito do extremo sul que tem o segundo IDH mais baixo da cidade, a população dividiu seus votos no PT desta vez com Bolsonaro, apesar de o petista ter registrado vantagem ali sobre o candidato do PSL. “Aqui, boa parte do pessoal fechou com Bolsonaro. Ele não entregou o hospital que prometeu e a segurança aqui está muito complicada. Sei que Bolsonaro nunca deve ter vindo aqui em Parelheiros, mas ele pelo menos vai combater a corrupção”, disse Danilo Pereira, de 27 anos.

Mesmo superando Haddad no bairro, o petista não conseguiu recuperar todo o prestígio que alcançou com a população local em 2012, quando marcou 47% dos votos válidos. A demora na entrega dos dois equipamentos de saúde prometidos para a região – além do hospital, a UPA também não foi finalizada –, e a crescente sensação de insegurança fizeram ao menos parte da população descartar o PT.

Fiel a Haddad, a professora aposentada Léia Costa, de 64 anos, discorda. “Falam muito que o hospital não foi entregue, mas foi Haddad quem começou.”

“Não votaria em um indicado qualquer do PT, e fiquei muito feliz que o escolhido foi o Haddad. Tudo o que ele fez na educação me dá motivos para votar nele, porque voto também nos que mais precisam”, diz o estudante. Pedro Aché Nolla.

Na zona oeste. Também em 2016, o bairro de Pinheiros, considerado de classe média-alta na zona oeste, foi a região onde o ex-prefeito obteve o melhor desempenho porcentual, somando 24,5%. Morando em Pinheiros desde 2017, a advogada pernambucana Fernanda Siqueira de Miranda, de 29 anos, faz parte da estatística. “O Haddad tem um histórico interessante como político.”

Na capital paulista, a vitória também foi do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, em 54 dos 58 distritos. Ele teve 44,58% dos votos, média inferior à registrada no País. Apesar da derrota, Haddad teve um desempenho melhor na capital do que a média nacional, chegando a 28,69%, considerando os votos apurados até 21h30. Considerando os distritos, Haddad recuperou em parte a hegemonia na periferia, o chamado cinturão vermelho, ganhando nos distritos de Parelheiros, do Grajaú e da Piraporinha, no extremo sul – ganhou ainda na Cidade Tiradentes, no extremo leste./ COLABORARAM ANA BEATRIZ ASSAM e ANA NEIRA

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