'Ninguém vai ficar de joelhos para Campos', avisa Luiz Marinho

Para o prefeito de São Bernardo do Campo e um dos principais interlocutores de Lula, governador deveria deixar candidatura para 2018

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2013 | 02h09

O recado para o governador de Pernambuco vem de São Bernardo do Campo (SP), e de um dos principais interlocutores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: "Ninguém vai ficar de joelhos para Eduardo Campos não ser candidato".

Em entrevista ao Estado, o prefeito Luiz Marinho (PT) afirma que Campos deveria esperar para ter condições de liderar a sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2018. Ele diz torcer para o senador Aécio Neves (MG) ser o candidato tucano, pois abriria espaço para o PT em Minas, e avalia que o PSDB resgata Fernando Henrique porque foi "o que sobrou".

Como o sr. avalia a possibilidade da candidatura de Eduardo Campos?

A depender de nós, o Eduardo não é candidato. É um jovem inteligente, um quadro importante de nossa aliança. Se as ponderações puderem ser realizadas, ele continua na aliança aguardando o futuro.

Quais ponderações?

É um jovem brilhante, competente. Se quer eventualmente buscar liderar, na transição pós-Dilma, esse nosso projeto que está em andamento, ele tem que ficar desse lado, e não disputar contra. Se disputa, está dado que, em 2018, esquece, vamos criar outro candidato. Não estou dizendo com isso que Eduardo será o candidato.

O que o sr. está dizendo, então?

Se eu estivesse no lugar do Eduardo, tensionaria até o último segundo, sentaria com a Dilma e faria uma composição, buscando condições de liderar esse processo em 2018. Na minha cabeça está muito claro que não vamos ter um projeto de longo prazo sempre com lideranças do PT encabeçando. É possível que uma liderança dos partidos aliados venha a liderar o processo.

Sem o PSB, a presidente Dilma teria menos tempo de TV em 2014.

Hoje a Dilma não precisa do mesmo tempo que precisou em 2010, quando não era conhecida. Ela é a presidenta, tem todo o conhecimento do povo.

Como é Campos como governador?

O resultado de Pernambuco não é mérito exclusivo do governo Eduardo. Tem mérito para caramba do presidente Lula e da presidenta Dilma, que despejaram um caminhão de dinheiro lá.

Como evitar essa candidatura?

Com diálogo. Agora, se o Eduardo estiver disposto a ser candidato, vai ser. Ninguém vai ficar de joelhos para não ser. Ele tem o direito de falar "não quero ficar com esse projeto, quero liderar um outro". Se quiser, vá. Mas a possibilidade de eventualmente liderar o nosso projeto mais à frente se finda aí.

Eduardo Campos está preparado para disputar uma eleição presidencial?

Uma coisa é ter uma cabeça em condições de debater o Brasil. Isso o Eduardo tem. Mas para disputar precisa uma ampla base e de bases partidárias organizadas nacionalmente, coisa que o PSB e o Eduardo não têm.

Campos na vice de Dilma é uma possibilidade ou a vaga será do PMDB?

Há dificuldade de sair do PMDB, uma vez que o Michel Temer é um vice leal, que vem trabalhando em sintonia fina com a presidenta.

Se não for candidato a presidente ou a vice, que espaço Campos terá até 2018?

Ele pode escolher. Pode ser senador. Pode vir a ser ministro. Quem sou eu para dizer a posição em que ele vai jogar? Mas tem espaço para discutir.

Lula lançou a presidente Dilma à reeleição faltando um ano e meio do pleito. Por que antecipar tanto a campanha?

Não foi o que o Lula fez. Ele deixou claro para a sociedade, os aliados, os formadores de opinião que a possibilidade de ser candidato em 2014 não se coloca. Muita gente ficava especulando. Até alguns auxiliares da Dilma ficavam com essa insegurança.

O senador Aécio Neves (PSDB) é um bom competidor para Dilma?

Desejo que seja o nosso adversário. Sobra espaço para ganhar Minas.

Que avaliação o sr. faz das críticas dele à experiência do PT no poder?

Ele falou do cadastro (dos programas sociais). O Fernando Henrique registrou o cadastro em junho de 2002, faltando seis meses para o fim do mandato. Só lançou, quem fez mesmo foi o governo Lula.

O PSDB resgata as gestões de FHC. Qual sua opinião sobre a estratégia?

Se alguém está no meio de um rio e a água está levando embora, tem que se agarrar a qualquer capim seco que estiver na beira do barranco. Em quem eles podem se agarrar? No Serra? No Bornhausen? No finado ACM? Têm que se agarrar ao Fernando Henrique, é o que sobrou.

O PSDB não deixou herança ao PT?

Deixou. A Dilma nunca negou isso, nem o Lula. É evidente que o PSDB construiu a estabilização da economia. Mas é bom lembrar que em janeiro de 2003 a situação da inflação anualizada era de 36%.

E em relação à área social? Havia programas no governo FHC.

Tinha um monte de penduricalhos. O vale-gás, o vale-isso, vale-aquilo, mas não tinha um programa estruturado que levasse ao desenvolvimento, que combatesse para valer a pobreza. Dizer que o governo do Fernando Henrique não fez nada não é verdade. Mas era muito desestruturado. Faltava planejamento.

O sr. será candidato a governador de São Paulo?

Não sei.

Mudou de ideia?

Você não me perguntou quando.

Em 2014.

Nenhuma possibilidade. Trabalhamos com planejamento. Em nenhum momento o partido me encomendou "planeje ser candidato em 2014". Está fora de propósito.

E em 2018?

Depende de 2014. Se um companheiro nosso for eleito, deve ser candidato a reeleição em 2018.

Quem é o melhor candidato do PT?

O que as pesquisas indicarem que tem a melhor chance de ganhar.

O sr. já citou os ministros Alexandre Padilha e Aloizio Mercadante.

Perfeitamente. Com muito esforço, poderia surgir uma terceira alternativa. Vai depender do que vamos construir até meados do ano. O PT não pode demorar muito além de junho.

Defende prévias para a escolha?

Isso está fora de cogitação.

Como avalia o caso do mensalão?

Vamos esperar terminar.

O ex-presidente Lula pretende fazer um balanço sobre o tema?

Acredito que, consolidado (o julgamento de recursos), ele deve falar mais sobre o assunto.

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