'Ninguém desconfiaria de negócio com um magistrado'

O procurador-geral do Distrito Federal, Rogério Leite Chaves, comprador da sala da Associação dos Juízes Federais em Brasília, disse ontem que vai entrar com ação judicial pleiteando adjudicação compulsória para passar ao seu nome o imóvel que comprou em março de 2010.

O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2012 | 03h05

"Estou na posse, mas até hoje não tenho a escritura, apenas compromisso de compra e venda. Sou terceiro de boa-fé, eu sou o prejudicado nessa história", declarou Chaves.

Na ocasião em que adquiriu a sala de 24 metros quadrados da Associação de Juízes Federais, Chaves, que é procurador de carreira do DF, tinha um escritório de advocacia no mesmo prédio. Ele foi nomeado procurador-geral em janeiro de 2011.

"Vi o anúncio no jornal e me interessei pelo imóvel", relata o procurador. "Achava que era o melhor negócio do mundo, o mais seguro. Imagina só. Quem é que vai suspeitar de algum problema em negócio com juízes federais?"

Chaves confirma que pagou R$ 115 mil pela sala, com um cheque nominal cruzado à Ajufer.

"Ficaram de passar a escritura em três meses após a compra, mas o documento acabou não saindo. Estou preparando a ação de adjudicação para escriturar (o imóvel) em meu nome. Ninguém jamais desconfiaria de um negócio com magistrado federais. Eu jamais, em tempo algum na minha vida, iria imaginar que teria um problema dessa natureza. Não comprei como procurador-geral, cargo que nem ocupava na ocasião. Comprei como cidadão, sobra um dinheirinho você vai lá e investe. É como você ir nas Casas Bahia para comprar uma geladeira."

O procurador-geral anota que "não tem nada" com o desvio que envolve três juízes federais. "O que eles (juízes) fizeram com o dinheiro eu não sei. O maior prejudicado sou eu. Fui lesado." / F. M.

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