Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

'Nenhum lado quer entender o outro'

Isentos criticam falta de diálogo entre os opostos

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2018 | 16h48

Além de não dialogar entre si, as “bolhas” que apoiam Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) não conseguiram, pelo menos até agora, conversar com eleitores que pertencem a um terceiro grupo: os isentos – aqueles que pretendem anular o voto ou votar em branco no segundo turno. “Nenhum deles me representa”, disse Diane Alves da Costa, de 27 anos, executiva de contas de uma rede de hotelaria. 

Esse grupo é formado, em sua maioria, por eleitores de Geraldo Alckmin (PSDB) e João Amoêdo (Novo). Ainda assim, é possível encontrar gente que votou em Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) e outros candidatos no primeiro turno. 

Além disso, são eleitores que, em sua maioria, abdicaram de “bater boca” em redes sociais e grupos de WhatsApp – evitando até conversas mais profundas com seus parentes mais próximos. 

“Em tempos de ódio, o não posicionamento é se posicionar”, afirmou Diane. Para não se posicionar, a executiva preferiu não ter em seu celular nenhum grupo de discussão sobre eleições. “Não tem diálogo. Nas redes sociais, um não quer entender o outro”, disse. “Tem fanatismo dos dois lados. Já ouvi discursos inflamados de bolsonarista e de petista”, completou.

Para o engenheiro agrônomo Caio Cugler Siqueira, de 25 anos, os políticos não entenderam os protestos de 2013 e o efeito da Lava Jato. “O desejo por uma renovação no sistema político foi subestimado.”

Clichês

“O País se perdeu em um debate de clichês entre segurança pública, armas, ameaça comunista e Lula, enquanto temas como economia, desemprego, reforma tributária, política e previdência são ignoradas ou superficialmente discutidas”, disse Siqueira. 

Ele também não acredita que Haddad nem Bolsonaro sejam capazes de encerrar a polarização, considerando que ambos têm os maiores índices de rejeição entre todos aqueles que se candidataram. 

Na opinião do empresário Afonso Soares Trigo, de 32 anos, eleitor de Marina Silva no primeiro turno, petistas e bolsonaristas agem com arrogância e parecem donos da razão. “É impossível conversar com os dois lados. Eles simplesmente querem impor uma visão de mundo”, afirmou. Por enquanto, Soares pretende votar em branco. “Vai ser a primeira vez que vou fazer isso. Ainda não bati o martelo, mas essa é a tendência”, afirmou o empresário. 

“O WhatsApp da minha família virou um campo de guerra. Quando não tem ofensa direta, tem alfinetada. Já bloqueei e avisei que nem vou votar”, disse a estudante de publicidade Amanda Dias, de 21 anos.

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