'Nenhum governo é totalmente transparente'

Uma das idealizadoras do Governo Aberto admite ser difícil alcançar a plena transparência, mas diz se tratar de algo inevitável

Entrevista com

RAFAEL MORAES MOURA , BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2012 | 03h02

Em passagem por Brasília para a 1.ª Conferência Anual de Alto Nível da Parceria para um Governo Aberto, a assessora especial da Casa Branca Samantha Power disse que "a corrupção é uma afronta à dignidade humana". Uma das auxiliares mais próximas de Barack Obama, Samantha é uma das idealizadoras do Governo Aberto, mas reconhece que a iniciativa pode ter atraído países motivados por "razões cínicas".

O que os Estados Unidos e os demais países podem aprender com o Brasil nessa parceria?

As pessoas estão olhando o Brasil como um modelo, porque a sociedade civil aqui é tão rica e vibrante, a imprensa é livre, o País saiu recentemente de uma ditadura militar. Os Estados Unidos podem dizer "é fácil (ser transparente), é só olhar para nós", mas nós temos feito isso há 300 anos. Os avanços feitos aqui são inspiradores.

Um governo pode se proclamar transparente?

Tudo que um governo pode fazer é firmar um compromisso com a transparência, mas nenhum governo é totalmente transparente.

Governos podem ser convencidos de que a autoridade máxima de um país é a população?

A melhor auditoria de uma política governamental é verificar o bem-estar dos cidadãos. Quando falamos de transparência, não se trata apenas de dar informação à pessoas, mas de estabelecer um mecanismo de feedback.

A transparência se tornou um fenômeno inevitável?

Sim. É interessante o número de países que não são totalmente democráticos que fazem parte do Governo Aberto, por preencher os mínimos critérios de transparência, como Rússia e Azerbaijão. Os governos associam a iniciativa à modernidade. Todo mundo quer ser um "líder BlackBerry", mas as pessoas podem estar aderindo ao projeto por razões cínicas.

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