'Nem sei colocar minhoca em anzol', afirma ministro

Na véspera de assumir como titular da Secretaria Especial da Pesca e Aquicultura, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) admitiu, ontem, que não é exatamente um especialista na área. "Vou lhes dizer, com humildade. Eu nem sei colocar uma minhoca no anzol", disse entre risos, em entrevista dada pela manhã à rádio Estadão ESPN. "Na verdade, estou indo para aprender. Mas com espírito público", completou.

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2012 | 03h06

A escolha de Crivella, um dos líderes da bancada evangélica, mantém uma tradição no ministério. Criado em 2003 pelo governo Lula, ele teve como titulares um cientista político, José Fritsch, e depois um veterinário, Altemir Gregolin. Ideli Salvatti, que o sucedeu, é formada em física e Luiz Sérgio, que a sucedeu, é metalúrgico. Mas o senador garantiu que "tem uma vantagem": é engenheiro civil e tem boa experiência para construir, por exemplo, terminais pesqueiros.

Na entrevista, Crivella jurou que "não há nenhuma troca" no convite - ou seja, ele não foi chamado para que seu PRB acalme os evangélicos paulistanos e proteja contra estragos a campanha do petista Fernando Haddad em São Paulo: "A presidente (Dilma) não está fazendo investimento futuro, está pagando uma dívida conosco", argumentou. "Se houvesse essa contrapartida eu não assumiria o ministério."

Ele foi mais longe. Sustentou que sua presença no Planalto pouco tem a ver com apoio eleitoral dos evangélicos, que "depende das políticas de governo". Inspirando-se na doutrina católica, afirmou que "se elas não agradarem, não há santo no mundo que possa ajudar".

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