Nem oposição nem governo se mexem por Negromonte

Considerado ministro com data de validade vencida, o titular da pasta das Cidades, Mário Negromonte, foi ignorado ontem pela base aliada e fustigado por apenas um representante da oposição.

ROSA COSTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2011 | 03h08

Em sabatina de 70 minutos na Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle do Senado (CMA), Negromonte defendeu a mudança sob suspeita de fraude no projeto de mobilidade urbana em Cuiabá (MT) que faz parte do pacote de obras da Copa. A alteração elevou o custo da obra em R$ 700 milhões, como revelou o Estado. "A idade de mentir já passou", disse.

No depoimento, Negromonte defendeu a diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Gomide Vianna, que alterou um parecer para justificar, contra orientações técnicas, a troca de um projeto de BRT (ônibus que transita por faixas especiais) pelo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

No entender do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), se o procedimento fosse correto e as intenções, insuspeitas, não haveria necessidade de ocultá-lo. "Houve um procedimento esdrúxulo que não tem outra denominação a não ser o de se constituir numa fraude documentada. Uma fraude avalizada pelo governo."

Negromonte alegou que a servidora e demais técnicos têm autonomia para agir e que a troca do parecer foi uma "decisão corriqueira". "Não tem irregularidades, apenas houve divergência no parecer e a diretora substituiu o parecer, ela tem poder discricionária para isso", afirmou o ministro, que disse ter sabido do fato pela reportagem do Estado, publicada em 24 de novembro.

Ocaso. Dado como certo na lista de ministros a serem substituídos em 2012, Negromonte pôde sentir na audiência que seu prestígio no Senado está em baixa.

A oposição não se mobilizou em peso e esteve representada apenas pelo tucano Álvaro Dias. Por sua vez, Negromonte chegou à comissão acompanhado apenas pelo presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), e mais quatro colegas do partido. Apenas o senador Benedito de Lyra (PP-AL) tentou defendê-lo, criticando o papel da imprensa que, segundo o parlamentar, só publica denúncias.

Questionado sobre seu futuro político, Negromonte disse que a indagação deveria ser feita à presidente Dilma Rousseff. "Você vai entrevista a presidente Dilma. Ela nunca me falou nada, então você procura ela para conversa com ela", desconversou. "Estou preocupado em exercer um bom papel e estou fazendo isso."

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