Negromonte diz ao PP que deixa hoje o ministério

Demitido pela presidente Dilma Rousseff na segunda-feira, em Salvador, o ministro das Cidades, Mário Negromonte (BA), avisou ontem ao PP que se despedirá hoje do governo. O ritual de desembarque do governo deve ser oficializado em reunião no Palácio do Planalto. A informação é de um importante dirigente do PP que participou das negociações com o governo para garantir que a pasta de Cidades continuassem sob o comando do partido.

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h02

O dirigente já dá como certa a substituição de Negromonte pelo líder da bancada do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB). Não apenas ele. Diante da reabertura oficial dos trabalhos do Congresso, os deputados já estão marcando a eleição do novo líder para a próxima terça-feira. Por enquanto, o único candidato ao posto é o deputado Arthur Lira (AL), filho do senador Benedito de Lira (PP).

Ainda segundo o dirigente do PP, tudo está sendo feito dentro do "script" combinado com o próprio Planalto. Aguinaldo responde a processo na Justiça por improbidade administrativa, mas um dos interlocutores do partido diz que tudo já foi avaliado pelo governo. E aposta que não haverá impedimento.

O processo vem dos tempos em que o líder foi secretário de Agricultura da Paraíba, entre 1998 e 2002, quando Aguinaldo foi acusado de ter comprado remédios e equipamentos médicos para combate à febre aftosa sem licitação.

Os apoiadores do deputado argumentam que a própria Justiça já se manifestou favorável a Aguinaldo no processo que analisou as compras emergenciais. Lembram que o deputado foi absolvido no pleno do Tribunal Regional Federal da 5.ª região.

Desgaste. Depois de três meses de desgaste por conta de denúncias de irregularidades em sua pasta, ficou acertado que, finalmente, Negromonte tomaria a iniciativa de entregar formalmente o cargo, facilitando a conversa com Dilma. Ele retorna ao Congresso depois de ser derrotado na disputa pela liderança e, como hoje é minoria na bancada, não exercerá nenhum cargo relevante. Nem a presidência da Comissão Técnica permanente que couber ao PP na partilha dos postos de poder da Câmara. Segundo um correligionário, Negromonte "sai da Esplanada dos Ministérios para a planície".

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