Negromonte chora, ataca mídia e diz ser alvo de 'fogo amigo'

Evento do Minha Casa vira ato em defesa de Negromonte, que se diz vítima de 'preconceito' por ser nordestino

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h03

Envolvido em denúncias de fraude na alteração do projeto de mobilidade urbana de Cuiabá (MT) para a Copa de 2014, o ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP), disse ontem em Salvador ser vítima de "fogo amigo" dentro do governo, acusou a imprensa de ter "preconceito" contra mulheres e nordestinos e chorou ao ser defendido por políticos baianos.

"Identifico fogo amigo, claro que sim! Partidos da base aliada e o próprio PP nacional - não o da Bahia - têm interesse no ministério", afirmou Negromonte. "As denúncias surgem porque o ministério é importante. A gente toma conta de diversos programas, como o Minha Casa, Minha Vida, de R$ 170 bilhões, o de saneamento básico, de R$ 50 bilhões, o de mobilidade urbana, de R$ 30 bilhões. E a gente contraria muitos interesses. Aqui e acolá tem meia dúzia de insatisfeitos na bancada, é normal."

O ministro participou pela manhã de um evento no qual foi anunciada a construção de imóveis da segunda etapa do Minha Casa, Minha Vida. Deputado eleito pela Bahia, Negromonte também acredita ser vítima de preconceito por ser nordestino e atacou a "imprensa do sul".

"As denúncias vêm de parte da imprensa, insatisfeita com o governo federal, interessada em enfraquecer a presidente Dilma (Rousseff). É uma mulher e existe discriminação", considera Negromonte. E prosseguiu sua linha de defesa com novas acusações contra a imprensa: "Existe discriminação com o nordestino também. Fizeram uma ilação com a festa do bode (reportagem da revista 'Época' mostrou que Negromonte fez lobby por patrocínio estatal para o evento em Paulo Afonso, cidade em que seu filho pretende ser candidato a prefeito). Se fosse a Festa da Uva ou da Maçã, certamente ninguém faria discriminação. Como é Festa do Bode, coisa de nordestino, e o ministro é nordestino, tome cacetada."

Cargo. Negromonte disse estar "tranquilo" sobre sua manutenção no ministério e afirmou não "ter apego" ao cargo. "Não vou ficar de joelho para ninguém. Fico muito honrado de fazer este trabalho junto com a presidente Dilma, a primeira mulher presidente do Brasil, mas só vou ficar lá se me sentir confortável e ela também. Se eu sentir que ela não me quer, eu vou lá e entrego", prometeu Negromonte. "Quem me ligou foi o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), dizendo que eu ficasse tranquilo, que a presidente da República conhece todo o trâmite, que por ela não tem problema nenhum."

O evento do Minha Casa, Minha Vida em Salvador foi transformado em ato de desagravo a Negromonte, que se emocionou ao cumprimentar o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT). O pedetista, assim como outros políticos que participaram do evento, aproveitaram seus discursos para sair em defesa do ministro.

"Quero dizer que você é um grande amigo", disse Negromonte, antes de perder a voz. "Obrigado pela solidariedade. Fique certo que eu jamais irei decepcionar os amigos, o povo da Bahia ou meus familiares."

Após o evento, Negromonte disse ter chorado por ser "muito emotivo" e voltou a defender sua atuação no ministério. "Fui denunciado diversas vezes e não acharam nada. Vasculharam minha vida pessoal dos pés à cabeça, vasculharam minha gestão no Ministério das Cidades, minha família, meu filho (o deputado estadual Mário Negromonte Jr.), minha esposa (a prefeita de Glória, Ena Vilma Negromonte), e não acharam nada. Estou testado e aprovado", considera.

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