Negromonte amplia lista de demitidos

Ex-ministro deixa Cidades após longo desgaste que incluiu suspeita de ter superfaturado obra para a Copa e negociação com lobista

CHRISTIANE SAMARCO, JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de fevereiro de 2012 | 03h05

Oito dias depois de a presidente Dilma Rousseff ter comunicado ao presidente nacional do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), sua decisão de trocar o ministro das Cidades, o deputado Mário Negromonte cumpriu o script acertado com o Planalto e entregou o cargo ontem. Para substituí-lo, a presidente convidou o deputado Aguinaldo Ribeiro, líder do PP na Câmara.

Em nota, Negromonte disse que vai continuar colaborando com o governo e que nenhuma das suspeitas levantadas contra ele foi provada. Em seguida, tal como estava combinado, Dilma anunciou a escolha do líder do PP na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PB), para comandar a pasta. E o Planalto divulgou uma nota na qual agradeceu "os serviços por ele (Negromonte) prestados ao País à frente da pasta" e desejou boa sorte ao deputado.

No mesmo dia em que falou com Dornelles que havia optado por fazer a troca no comando das Cidades, Dilma Rousseff avisou ao senador que ele seria procurado pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para tratar do ministério. Ideli foi a Dornelles e pediu a ele que comunicasse a Negromonte a decisão da presidente. Quase arrumou uma crise.

"Levar essa notícia ao Mário eu não levo. Avisem a ele e nos chamem para indicar o substituto", reagiu o presidente do PP. Na ocasião, Dornelles chegou a ser sondado sobre a possibilidade de assumir a vaga do correligionário na equipe ministerial. Recusou a oferta e disse que uma eventual escolha de Márcio Fortes para retornar ao ministério teria a rejeição da bancada.

Ideli procurou Aguinaldo Ribeiro e, em nome da presidente, ofereceu o cargo. Na segunda-feira, durante uma cerimônia em Camaçari, na Bahia, a presidente conversou com Negromonte. Disse que havia brigas internas no PP por causa das Cidades. "Eu disse para a presidente que isso era verdade. E que desejava vê-la bastante confortável. Qualquer decisão em relação a mim seria acatada", disse Negromonte ao Estado, logo depois de se encontrar com a presidente para cumprir as formalidades.

Suspeitas. Negromonte foi o sétimo ministro a cair sob suspeita de irregularidades em sua administração (Nelson Jobim saiu por ter falado mal de colegas e Fernando Haddad saiu para disputar a Prefeitura de São Paulo. Contra Negromonte há a suspeita de uma manobra que aumentou em R$ 700 milhões o custo da obra para a Copa de 2014, em Cuiabá, e uma reunião com um lobista e um empresário interessados em negócios da pasta. Ele nega as acusações (leia entrevista acima). / COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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