Prefeitura de Salvador/ Divulgação
Prefeitura de Salvador/ Divulgação

Nas capitais, cresce número de pretos candidatos a vereador

Levantamento feito com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral mostra que o total dessas candidaturas aumentou 51,6% na comparação com 2016

Regina Bochicchio, especial para o ‘Estadão’, Salvador

03 de novembro de 2020 | 07h50

SALVADOR – O número de candidaturas à vereança de pessoas autodeclaradas pretas aumentou na grande maioria das capitais brasileiras em 2020, quando comparado a 2016. Somente em quatro das 26 capitais houve leve diminuição: Manaus (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e Aracaju (SE). Se somados aos candidatos pretos a prefeito e vice de todas as capitais, somente Manaus registra queda. Salvador é a capital com maior número de candidatos pretos a vereador, 622, seguida de Rio de Janeiro, com 411, Belo Horizonte, 320 e São Paulo com 307. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Preto é um dos cinco grupos de cor e raça definidos pelo IBGE, a partir de autodeclaração, mesmo critério adotado pelo TSE para os candidatos. Os cinco grupos de cor e raça são branco, preto, pardo, amarelo e indígena. Já o termo “negro” se refere à soma de autodeclarados pretos e pardos. Candidaturas a vereador de pessoas autodeclaradas pretas somavam 2.533 mil nas capitais e agora são 3.841 mil – aumento de 51,6%, maior do que o crescimento de candidaturas a vereador de um modo geral, que foi de 28,4%.

Esse movimento de candidaturas corre paralelo ao crescimento porcentual da população em geral que se declara preta, como mostram dados do IBGE sobre as capitais. Na capital paulista, por exemplo, 7,2% da população se declarava preta em 2016, agora, são 8,9% (2019).

Para estudiosos ouvidos pelo Estadão, o incremento de candidaturas da população negra em geral, e dos pretos em particular, é o reflexo de três aspectos principais. O primeiro é a construção da afirmação de identidade das pessoas pretas. “Este aumento de autodeclaração de candidatos pretos tem muito a ver com a potente construção da luta de pretos e população negra por afirmação nos últimos 40 anos. Desde 1980, a esquerda negra constrói, dentro e fora dos partidos, esta possibilidade”, diz a socióloga baiana Vilma Reis, ativista de mulheres negras. Para ela, a tendência é o número crescer e que mais pretos sejam eleitos nas próximas eleições. Sobretudo mulheres pretas.

Outro aspecto, é que o fim das coligações para as chapas proporcionais, e consequente aumento de vagas nos partidos, abriu a discussão para candidatos pretos nas legendas, diz Cloves Pereira, cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele lembra, ainda, que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de normatizar cotas do Fundo Eleitoral e tempo na propaganda eleitoral na TV para negros (pretos e pardos) já em 2020, apesar de ter sido decidida após convenções partidárias, acabou fomentando a discussão interna nos partidos.

Tudo o que sabemos sobre:
eleições 2020inclusão racial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.