'Não vou cumprir missão do DEM ou das oposições'

Prefeito eleito de Salvador, ACM Neto rejeita fazer de sua gestão na terceira capital do País uma fonte de experiências da oposição

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2012 | 02h07

Se o PT decidiu fazer da administração de Fenando Haddad em São Paulo um laboratório para a apresentação de novas políticas voltadas para a classe média na campanha à eleição presidencial de 2014, o mesmo não ocorrerá em Salvador, terceira maior cidade do País, que será governada pela oposição a partir de janeiro do ano que vem.

Tudo o que o prefeito eleito, ACM Neto (DEM), não quer é fazer de sua administração uma fonte de experiências para que as oposições usem como exemplo para mostrar ao eleitorado em 2014. "Eu não fui candidato para cumprir uma missão do DEM ou das oposições. Eu fui candidato do povo de Salvador. Não quero e não vou falar da eleição de 2014. Não vou transformar Salvador em trincheira contra o governador Jaques Wagner (PT) ou contra a presidente Dilma Rousseff. Estou concentrado em fazer uma boa administração para a cidade", disse ao Estado.

Mesmo rejeitando a possibilidade de usar sua administração como fornecedora de subsídios do programa da oposição, ACM Neto disse que vai aplicar em Salvador a receita de seu partido. "Vou promover parcerias público-privadas para a construção de vias que desafoguem o trânsito. Isso é emergencial", disse. "Também vou usar ativos da prefeitura para criar um fundo que me permitirá administrar Salvador. Será uma tarefa difícil. Tenho consciência disso. Eu preciso também manter parcerias com os governos do Estado e federal".

Outro plano de ACM Neto se assemelha muito com os programas da oposição. Assim como Aécio Neves fez quando assumiu o governo de Minas Gerais, em 2002, o futuro prefeito de Salvador anunciou um choque de gestão e ordem na prefeitura.

No conjunto de decretos que pretende baixar no dia da posse - 1.º de janeiro - está a vigência da ficha limpa para servidores nomeados. ACM Neto prevê também a adoção de "medidas duras" à frente da administração assim quer tomar posse. Ele planeja uma reforma da máquina administrativa. Para tanto, contratou uma empresa de consultoria internacional e criou uma equipe de transição liderada pelo ex-governador Paulo Souto (DEM). Disse que vai cortar pelo menos 20% dos gastos correntes da prefeitura logo de início. / J. D.

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