Não vamos defender a autonomia do BC de forma envergonhada, diz aliado de Marina

Coordenador de programa de governo da candidata, Maurício Rands, diz que PT esconde, mas tem a mesma proposta para Banco Central

ANA FERNANDES, Agência Estado

15 de setembro de 2014 | 10h40

Atualizado às 11h25

São Paulo - O coordenador de programa de governo da equipe de Marina Silva (PSB), candidata à Presidência, Maurício Rands, disse nesta segunda-feira, 15, que o programa da candidata "sabe que é possível colocar o Brasil para crescer (a uma taxa de) 4%" e que Marina não terá vergonha de assumir suas propostas, como a autonomia do Banco Central. Em discurso na Câmara Americana de Comércio (Amcham), Rands afirmou que esse crescimento econômico será possível a partir de investimentos em infraestrutura, com melhoria do ambiente para realização de investimentos.

Rands reclamou da postura da presidente Dilma Rousseff, de criticar a proposta de Marina pela autonomia formal do Banco Central. Segundo ele, a presidente e seu governo defendem essa autonomia em ambientes fechados, em eventos com o setor privado, mas passam outra mensagem ao eleitorado no programa de televisão, ao estilo "Regina Duarte" - referência à campanha feita pelo PSDB em 2002 contra o então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou conhecida como "campanha do medo". "Não defendemos nossas propostas de forma envergonhada, temos um discurso só, defendido plenamente, à luz do dia, sem hesitações", afirmou.

O coordenador de programa repetiu que o eventual governo de Marina pretende implementar uma cultura de métricas e resultados, por meio da parceria com o setor privado, que pode ser feita por concessões tradicionais e por Parcerias Público-Privadas (PPPs). "Podemos estar no limiar de um salto de competitividade e de qualidade", disse ao defender a busca por "inovação como obsessão".

Ataques. Também presente no evento, o coordenador-geral da campanha de Marina, Walter Feldman, disse a candidata vai superar a "campanha de mentiras" e ataques feita pelos adversários. "Vamos superar essa dose excessiva de ataques, que, espero, se torne veneno contra eles", afirmou em discurso na Câmara Americana de Comércio (Amcham), reafirmando o mote adotado pela campanha de ter "esperança" para vencer o pleito de forma limpa. Feldman afirmou que Marina vai avançar ao segundo turno em condições de chegar à Presidência.

O coordenador disse ainda que o programa de governo da equipe de Marina está alinhado com as demandas do setor privado, colocadas pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), entre elas ganho de produtividade, simplificação tributária, recuperação da política fiscal segundo parâmetros ortodoxos, com referência no tripé macroeconômico.

Feldman afirmou, contudo, que essas metas só são possíveis a partir de uma nova forma de se fazer política, no que ele chamou de "democracia 2.0". "Nada disso é possível se não encontrarmos o caminho da boa política", disse Feldman ao defender um modelo de participação "transparente e universal".

Mensagem semelhante foi colocada por Maurício Rands, que discursou na sequência. "Vamos ter sim governabilidade, mas não queremos reproduzir a governabilidade praticada pelas duas forças políticas que governaram o Brasil nas últimas décadas", disse Rands, que afirmou ter faltado a coesão de um programa para dar base às alianças do atual governo. Segundo ele, o País hoje está maduro para um novo modelo, com maior eficiência para a política. Rands disse não ver mais sentido no modelo atual, que "empodera" cúpulas partidárias.

Na sua fala, Feldman também falou sobre gestão ambiental, que é um tema que preocupa o empresariado com relação à candidatura de Marina Silva. Segundo ele, Marina, quando ministra do Meio Ambiente, mostrou que é factível ter uma gestão ambiental com competência. "É possível o Brasil ser paradigma nesse aspecto para o mundo", disse Feldman.  

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