'Não tem o que fazer, é enfrentar. E não fugir'

Petista diz que mídia quer condenação, mas acredita em julgamento 'técnico' e que, se eleito, não vai poder errar no governo

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h04

Para o deputado João Paulo Cunha (PT), o julgamento do mensalão é uma "disputa política" contra o PT e os governos Lula e Dilma. O parlamentar vê a eleição em Osasco como uma chance de redenção: "Não posso errar", disse ao Estado.

O sr. foi eleito deputado duas vezes após o mensalão. O sr. acha que, agora, a sociedade e a oposição serão mais críticas, por causa do julgamento e por se tratar de um cargo executivo?

Durante a campanha, a oposição não vai precisar falar do mensalão, porque eu vou falar. Eu vou falar para a população o que foi o processo do mensalão. A própria população vai cobrar durante e após a campanha. Prefiro sempre o grito da sociedade organizada do que o silêncio dos desorganizados.

Como vai abordar o assunto?

Vou falar o que aconteceu em 2002, 2003, 2004 e 2005. Vou falar exatamente a verdade.

Isso já tem acontecido ou não?

Eu já falo muito. Em 2006, eu convidava a população para vim discutir o mensalão. Montava barraca nas ruas da cidade, com um programa chamado diálogo cidadão, e chamava as pessoas para dialogar e escutar o que havia acontecido. Não tenho receio de falar sobre esse assunto. E da forma que ele aparecer eu vou enfrentar o debate. Evidente que já estou começando a falar com o PT e com os partidos aliados, dando a minha visão da forma que a gente tem que fazer a campanha, falar da cidade e falar do processo. Não podemos esconder.

Qual é a sua versão do caso?

Eu já falei muito. E o próprio Estadão já falou muito também. A nossa opinião, a do PT, está dita em vários cantos. Nesse momento não é o caso de a gente falar. Só informar que acho o assunto importante e não esconderei durante a campanha.

Há alguma preocupação com o julgamento em si?

Claro, dos 38 réus o único candidato sou eu. Não posso acreditar que a marcação do julgamento na véspera da eleição é para atingir minha candidatura. No fundo, é uma disputa política com o PT, com o presidente Lula e com a presidenta Dilma. É um tema que vai estar na eleição. Mas como não tem o que fazer, é enfrentar e fazer o debate. Não tem que fugir. Se o Supremo está lá para fazer o julgamento, nós estamos aqui para apresentar nossa posição

Sua candidatura corre risco?

Não acredito. Sou otimista, o STF não vai se deixar levar por pressão, por faca no pescoço, por causa da mídia. A mídia quer que o STF condene. Tenho a impressão que o STF não quer condenar. Quer julgar. Vai ser um julgamento justo, correto, técnico. Se for assim, tenho certeza que vou ser absolvido.

O que o sr. sente da militância do PT aqui em Osasco?

Eu sinto solidariedade absoluta da militância do PT e agora dos aliados. As pessoas me conhecem, sabem onde moro, no mesmo lugar, com o mesmo padrão de vida. Isso dá segurança para me defenderem.

O sr. chegou a exercer interinamente a Presidência da República. Por que agora ser prefeito de Osasco?

Veja, na realidade eu tinha esse sonho inicial, que depois meio que tinha abandonado. Agora, em decorrência do processo do mensalão, é um bom recomeço para mim. Imagino que eu poderia dar uma grande contribuição para a cidade e ao mesmo tempo a cidade daria para mim um bom conforto para recomeçar minha vida política. Ao mesmo tempo, eu teria quase a obrigação, ganhando a eleição, de cumprir dois preceitos indispensáveis. Vou ter de fazer uma administração boa, porque não vou poder errar. E vai ter de ser uma administração com um critério de transparência e de participação muito forte.

Por que não pode errar? O senhor já falou que o PT errou no processo do mensalão.

O PT cometeu um erro e já assumiu esse erro. Já pagou até mais do que devia pagar. Mas o caso pessoal cada um tem que fazer o seu caminho. Para mim seria um bom caminho eu voltar aqui para Osasco. Por que eu digo que não posso errar? Porque a expectativa da população ao dar uma nova chance para mim é exatamente essa: que eu não posso errar. / F.F.

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