Fernando Bizerra Jr/EFE
Fernando Bizerra Jr/EFE

Haddad diz que 'provavelmente' houve crimes de corrupção de petistas

O candidato à Presidência pelo PT também defendeu a punição exemplar para quem enriqueceu ilicitamente

Mateus Fagundes e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2018 | 01h39
Atualizado 23 de outubro de 2018 | 11h36

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, afirmou na noite desta segunda-feira, 22, ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que "provavelmente" houve crimes de corrupção cometidos por dirigentes petistas. "Houve crime? Na minha opinião, provavelmente, sim", disse. "São dois crimes. Financiamento de caixa-dois e enriquecimento ilícito, que é ainda mais grave. Acredito que teve gente que se valeu disso e acho que necessita de punição exemplar", afirmou o candidato. 

Questionado se não se sentia constrangido com os escândalos de corrupção, ele respondeu que são os corruptos que devem se sentir constrangidos. "Não existe perdão à corrupção sem que paguem pelo que fizeram, garantido o amplo direito de defesa, sem que haja perseguição política, com base em provas."

Haddad tentou desvincular a corrupção do seu partido, dizendo que quem comete os atos ilícitos são pessoas. "Há provas em relação a pessoas, não a partidos." Ele citou ainda o exemplo dos tucanos Aécio Neves (MG), Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR), que são acusados de corrupção, para explicar seu ponto de vista. "Você vai poder falar de qualquer tucano em função do envolvimento de três governadores do PSDB? É injusto isso", defendeu. "O Alckmin tem alguma coisa a ver com isso? Na minha opinião, não", completou.

O petista ainda lembrou que seu adversário Jair Bolsonaro (PSL) já foi do PP, sigla com mais parlamentares envolvidos na Operação Lava Jato. "Será que Bolsonaro vai convidar seus colegas do PP para compor seu governo? Por que ninguém pergunta isso a ele?", questiona.

Além disso, Haddad ressaltou que Bolsonaro disse que não vai se ater à lista tríplice para a escolha do procurador-geral da República, e que seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), falou em "fechar o STF". A declaração foi criticada por entidades de classe como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli

O candidato também disse que Bolsonaro não tem "apreço pela democracia". "Jair Bolsonaro é quem está enfraquecendo as instituições", disse Haddad, destacando que seu adversário é uma ameaça e que ele teria que explicar o patrimônio de R$ 15 milhões da sua família. 

O petista afirmou que espera que a ameaça de compras de pacotes de fake news contra ele tenha sido contida. Ele também negou ainda que esteja se preparando para um "terceiro turno" na Justiça Eleitoral, ao pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigações sobre o caso de fake news.

Indulto ao ex-presidente Lula 

Questionado mais uma vez se pretende conceder indulto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso pela Operação Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em caso de vitória na corrida pelo Planalto, Haddad disse que acredita que Lula tem "toda condição" de obter a revisão da sentença. "Se a Justiça seguir a trilha da busca de provas e do tratamento isonômico", advertiu.  

Haddad ainda disse que vai ouvir conselhos de Lula e de outras pessoas, mas que a palavra final será dele como presidente. "Não conheço um governante que teve tanto cuidado com as pessoas como Lula."

Privatizações

O candidato afirmou que, caso seja eleito, não vai privatizar nenhuma estatal. "Não tem nenhuma estatal no meu radar para ser vendida". O candidato negou, porém, que seja estatista. "Sou a favor de fundir empresas, fazer o enxugamento de algumas", disse, ao se referir especificamente ao caso da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), a "estatal do trem bala".

Haddad defendeu ainda equilibrar os subsídios do gás de cozinha, que ele propõe, e os do diesel. O petista citou ainda dois erros de ex-presidentes do País. De Fernando Henrique Cardoso, falou que foi a questão do câmbio. Já de Dilma Rousseff, de ter tentado controlar preços públicos. 

Educação sexual 

Sobre a polêmica em relação à educação sexual nas escolas, Haddad disse que defende apenas é o conhecimento de ciência pelos alunos a fim de evitar gravidez, doenças transmissíveis ou envolvimento com drogas lícitas e ilícitas. "Educação sexual é dada pelos pais e informação como ciência é atribuição da escola."

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