'Não sou um homem político, meu voto é orar'

Em Abadiânia, no interior de Goiás, não há uma eleição sem que apoio de João Teixeira de Faria, o João de Deus, seja disputadíssimo. "Não sou um homem político. Meu voto é orar", conta o homem que cuida da "saúde da alma" do ex-presidente Lula.

O Estado de S.Paulo

11 de março de 2012 | 03h04

Na Casa Dom Inácio de Loyola, o centro espiritual onde ele atende seus pacientes, João de Deus mostra títulos, diplomas e certificados que, garante, não lhe renderem nenhuma vaidade.

A ele são creditadas curas de cegos e paralíticos, mas uma de suas façanhas é inegável: ele transformou a pequena comunidade Abadiânia, com 15 mil habitantes, em polo turístico internacional.

Semanalmente, milhares de pessoas dos mais diversos países gastam pelo menos US$ 2 mil para chegar ao município goiano, distante 117 quilômetros de Brasília, em busca da cura espiritual - seja por meio da água fluidificada, do remédio feito à base de passiflora ou pelas cirurgias visíveis (com pinças gigantes, tesouras e até facas de cozinha) e invisíveis.

Sobre a medicina, João de Deus conta que tem o respeito dos colegas, inclusive dos médicos do ex-presidente Lula, e diz que os visitantes da sua casa são orientados a permanecer com o tratamento médico tradicional. "Os médicos têm uma missão de curar também e estudaram para isso." Ponto. João prefere mudar de assunto.

O humor do médium muda tanto quanto as entidades que o incorporam. Algumas pessoas dizem que são sete; outras, que são 30. Falar sobre Lula, o paciente ilustre, e sobre as críticas às atividades da casa não lhe agrada, e João segue respondendo sobre a certeza da sua missão. "Meu trabalho é dormir. Não curo ninguém. Quem cura é Deus," diz, logo depois de comentar que não dormia há 36 horas.

Na última quinta-feira, João de Deus atendeu os mais variados casos. Mulheres com dificuldades para engravidar, tumores, dores crônicas, desempregados, viciados em drogas.

A triagem dos pacientes é feita pela manhã. Em minutos, ele prescreve o tratamento. As operações visíveis não duraram mais do que cinco minutos. Quem não pode se deslocar até Abadiânia, manda fotos ou peças de roupa por intermediários. As curas de João de Deus, garantem os funcionários da casa, podem ser sentidas à distância.

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