'Não somos da briga, mas quando nos desafiam a gente encara', diz Dilma

'Não somos da briga, mas quando nos desafiam a gente encara', diz Dilma

Em ato de campanha em Curitiba, petista negou que esteja fazendo campanha do ódio e afirmou que não vai deixar de rebater acusações dos adversários

Carla Araújo e José Maria Tomazela, enviados especiais, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2014 | 15h53

Curitiba - Numa visita marcada pela provocação entre petistas e tucanos, nesta sexta-feira, 17, em Curitiba, a presidente da República Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição, convocou os simpatizantes para a guerra. "A palavra é a seguinte, um grito de combate, um grito de guerra: vamos ganhar essa eleição no dia 26", conclamou. Em seguida, disse que não era de briga, mas não deixaria de responder aos ataques. "Não somos de guerra, não somos de briga, mas quando nos desafiam, a gente encara uma boa briga", afirmou. 


Nos últimos debates, a candidata à reeleição e seu adversário Aécio Neves, do PSDB, trocaram fortes ataques pessoais. O clima se refletiu nas ruas de Curitiba, antes e durante a visita da presidente, quando partidários de ambos trocaram provocações. Partidários de Aécio, que na capital teve 54,5% dos votos contra 18,8% da petista, postaram convocações na rede social Facebook para "dar uma vaia" em Dilma na praça em que ela subiria ao palanque.

O clima tenso levou a Polícia Militar a reforçar o policiamento no local com cerca de 40 policiais militares. "Não vamos entrar em confronto com os tucanos desesperados", alertou o locutor da campanha, minutos antes da chegada da presidente. Dilma desfilou na carroceria de uma caminhoneta, ao lado do vice-presidente Michel Temer, do candidato derrotado do PMDB ao governo estadual, Roberto Requião, e do ex-senador Osmar Dias, do PDT.

Durante o trajeto, moradores de prédio travaram uma disputa particular nas janelas: enquanto de um lado Dilma era aplaudida, de outro, as pessoas voltavam os dedões para baixo. Os manifestantes que acompanhavam a "carrinhada" a pé, entoaram nova versão do refrão da campanha do ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva: "Olê, olê, olá, Dilma, Dilma". Na esquina da Barão do Rio Branco, um grupo fez coro de Aécio, logo encoberto pelo grito de "Dilma" e "já ganhou". Um rapaz do grupo tucano foi empurrado por um militante petista.

No discurso de 10 minutos, Dilma disse que o Brasil não vai andar para trás. "Juntos, temos um só rumo, seguir em frente e garantir a prosperidade, o crescimento social, econômico, emprego e salário para que cada família tenha paz e prosperidade." Em ataque aos governos tucanos, disse que o país não quer mais ficar de joelhos ante o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Eles quebraram o país três vezes, criaram a maior onda de desemprego. Agora falam que o salário mínimo está alto, mas para eles que ganham milhões, não para o povo deste país." Sem citar o ex-ministro Armínio Fraga, convidado por Aécio para assumir o Ministério da Fazenda, em caso de vitória, Dilma atribuiu o feito ao "candidato a ministro da Fazenda, aquele que deixou o Brasil de joelhos duas vezes."

A petista ainda acusou a oposição de querer acabar com a política industrial e com os bancos públicos, o que, segundo ela, deixaria agricultores, pequenos empresários e trabalhadores sem financiamento. "Se não tivesse o BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil não haveriam programas sociais como o Minha Casa Minha Vida. Quando puderam, não fizeram e com a cara mais limpa dizem que vão fazer o Bolsa Família. Não vão porque nunca fizeram, não criaram e sucatearam as universidades, proibiram que se fizesse escolas técnicas federais." 

Ela pediu aos militantes que vão às ruas "mostrar as consequências do Brasil voltar para trás, mostrar o que aconteceu neste país quando eles governaram." O comício de Dilma reuniu cerca de 5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar - os organizadores falaram em mais de 10 mil. Na fala de Requião, houve algumas vaias quando ele se referiu a uma possível vitória de Aécio Neves como "a volta do governo de Fernando Henrique Cardoso". No meio dos petistas, a corretora Iveris Cardoso, de 58 anos, disse que votaria em Aécio pois tinha se decepcionado com Dilma. "É estranho o Requião estar com o PT, acho que se vendeu." 

A doméstica Roseny Von Kruger, de 54 anos, ficou três horas à espera de Dilma e explicou porque votará nela: "Tenho um filho e uma nora estudando Direito pelo ProUni, meus dois filhos têm casa do programa Minha Casa Minha Vida e meu neto de 15 anos está no Pronatec."

A senadora Gleisi Hoffmann, que concorreu pelo PT ao governo do Estado - o tucano Beto Richa foi eleito no primeiro turno -, não participou do evento com Dilma. Segundo o PT, ela encontrou-se com a presidente no aeroporto e ficou aguardando a chegada da deputada Christiane Yared, do PTN, que, contra orientação do partido, declararia apoio a Dilma.

Desempenho. Aécio teve vantagem em relação a Dilma no Paraná, ao conquistar 49,79% dos votos no primeiro turno contra 32,54% dela. Marina Silva (PSB) teve 14,20%. Em Curitiba, o desempenho do tucano foi ainda melhor: 55% dos votos. Marina veio em seguida, com 20% da preferência do eleitorado. Dilma ficou com o terceiro lugar, com 18,79%.

Antes da passagem por Curitiba, Dilma participou de evento em Florianópolis (SC) nesta manhã. Santa Catarina é o Estado onde Aécio obteve sua maior votação no primeiro turno: 52,89% dos votos totais. Dilma ficou em segundo lugar (30,76%), e Marina, em terceiro (12,83%).

Agenda. A previsão, segundo a agenda da presidente, é que Dilma retorne a Brasília. No sábado, 18, ela participaria de um evento no Rio de Janeiro, que foi adiado, e ela deve permanecer em Brasília. No domingo, Dilma deve se preparar para o debate da TV Record, em São Paulo. Na segunda-feira, 20, Dilma deve cumprir agenda no Rio e também participar na capital paulista de dois atos ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serão os primeiros eventos conjuntos dos dois no segundo turno. Na terça, 21, a previsão é que os dois façam um ato em Pernambuco.

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