Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

'Não precisa ser apaixonado pelo PT, pode até ter raiva', diz Jaques Wagner

Articulador político da campanha de Fernando Haddad, senador eleito pela Bahia apela para uma aliança mais ampla contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL)

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2018 | 16h51

Articulador político da campanha de Fernando Haddad (PT) à Presidência, o senador eleito pela Bahia Jaques Wagner disse acreditar que os apoios à candidatura petista nas eleições 2018 virão de "baixo", e não necessariamente de alianças partidárias. Além disso, o petista defendeu que o PT esteja disposto, inclusive, a abrir mão de uma candidatura em 2022, em prol de uma aliança mais ampla nesta disputa com o rival Jair Bolsonaro, presidenciável do PSL.

"Não tem que sentar para conversar, a linha de corte é a democracia", disse Wagner, após se reunir com Fernando Haddad e outros integrantes da campanha em um hotel na capital paulista. "Não precisa ser apaixonado pelo PT, pode até ter raiva do PT", reforçou o baiano, apelando para uma aliança mais ampla contra Bolsonaro.

Em entrevista nesta segunda-feira, 15, Haddad fez 'mea culpa' de gestão petista e falou em "recuperar o projeto que deu certo, assumindo e corrigindo o que esteve errado".

Jaques Wagner conversa com interlocutores do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da candidata da Rede derrotada no primeiro turno, Marina Silva. Sobre Ciro Gomes, o senador eleito afirmou que não desistirá de pedir um apoio mais empenhado do pedetista. "Não vou jogar a toalha", declarou. Para buscar o acordo, Wagner está em conversas com Cid Gomes, irmão de Ciro. Na opinião do petista, o candidato do PDT no primeiro turno deveria declarar um apoio "com mais contundência" e "bater uma foto" com Haddad.

As alianças pró "democracia" poderiam incluir, reforçou Wagner, um apoio a Eduardo Paes (DEM) no Rio e a Márcio França (PSB) em São Paulo. "Depois do Haddad (em 2022), tem que ser do PT? Na minha opinião, não. Mas primeiro tem que ganhar a eleição", sinalizou Wagner, que já defendeu no primeiro turno que o PT pudesse se alinhar com Ciro Gomes desde o começo da disputa nacional. Ele acredita que tanto o presidenciável petista como Bolsonaro poderiam se comprometer com o fim da reeleição e uma reforma política que estabelecesse um mandato de cinco anos para o futuro.

Haddad também estaria disposto, nas palavras do coordenador de campanha, a incorporar em seu programa de governo a proposta do fim da progressão de pena para crimes como homicídio, latrocínio e estupro.

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