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'Não posso voltar', afirma imigrante desempregado

Doze homens dividiam quarto e sala na pobre cidade de Samambaia

Leonêncio Nossa / Brasília, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2013 | 02h08

Eles se amontoavam em uma casa de quarto e sala em Samambaia, cidade pobre da periferia de Brasília. Doze homens esperavam em colchonetes velhas e sujas vagas de emprego em obras dos prédios financiados pela Caixa Econômica Federal que surgem ali, a 25 km da Esplanada dos Ministérios.

Com roupas simples e descalço, Melad Ahmed, 35 anos, disse que só tem medo de ser obrigado a voltar a Daca, capital de Bangladesh. Ele foi atraído pela oferta de emprego no abate de frangos no Paraná. Como não conseguiu trabalho, foi levado a Brasília.

Melad diz ter medo de ser obrigado a voltar a seu país na Ásia. "Não posso voltar. Em Daca não tenho emprego e dinheiro. Aqui, posso trabalhar na construção civil, no abate de frangos e em restaurantes indianos. Faço qualquer serviço", afirmou ele em um inglês precário. "Se voltar, terei problema com a polícia", disse, fazendo gesto de passar a mão esquerda no pescoço.

Ele está há três meses no Brasil. Dividindo um quarto com outros 11 imigrantes, Ahmed deixou a mulher e um filho menor em Daca. Ele viajou de avião da sua cidade até Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, com escalas em Dubai, São Paulo e Buenos Aires. Da Bolívia, o imigrante pegou ônibus até o Paraná. De lá, veio foi a capital federal.

Sem nome. Em Samambaia, eles são conhecidos como os "estrangeiros" que vivem "apertados" nos cômodos de um lote da Quadra 115. Ninguém sabe o nome deles. A relação da vizinhança com o grupo é quase nula. Cada trabalhador desembolsou até US$ 10 mil para chegar ao País.

Por considerar os imigrantes "vítimas" de um golpe, a Polícia Federal ouviu os trabalhadores como vítimas. A recepção da polícia agradou Faruk Ahmed, 36 anos. Ele chegou anteontem a Brasília. Ainda espera voltar ao Paraná, onde já esteve, assim como Melad. Quer o emprego no abate de frangos no frigorífico.

Sem alimentos. Faruk ele enfrenta as dificuldades de alimentação e acomodação na pequena casa. Ele também deixou a família em Daca. O imigrante ilegal não aceitou convite da Polícia Federal para se hospedar num abrigo.

Outro imigrante que entrou ilegalmente no País, Saleh Ahmed, também de 36 anos, disse que em Bangladesh, não conseguia dinheiro nem mesmo para se alimentar. Há dois meses no Brasil, ele ressalta que a situação aqui é melhor que no seu país e o maior problema que enfrenta é a falta de documentos. Os coiotes - que cobram alto para auxiliar os ilegais na passagem pelas fronteiras - recolheram todos eles.

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