'Não posso trabalhar porque não encontro creche para meu filho'

Após dar à luz, Aparecida Cândido teve de deixar o emprego que lhe rendia mais de um salário mínimo por mês

Alana Rizzo, O Estado de S. Paulo

29 de janeiro de 2012 | 03h03

BRASÍLIA - Depois do nascimento do filho, hoje com dez meses, Aparecida Lopes Cândido abandonou o emprego com carteira assinada em uma fábrica de roupas. O trabalho lhe rendia mais que um salário mínimo e gratificações no fim do mês que completavam o orçamento. "Gostava muito de trabalhar fora e quero voltar. O problema é que não encontro creche para o meu filho e fica muito caro pagar alguém."

Aparecida mora em frente a uma das três creches que estão sendo construídas com recursos da União em Santo Antônio do Descoberto, no entorno de Brasília. Há um ano ela acompanha o ritmo lento da obra, que ao custo de R$ 1,4 milhão deveria ter sido concluída em setembro do ano passado, segundo o governo.

As outras duas unidades ainda estão no chão, apesar de o prazo para conclusão das obras terminar em junho deste ano. Cada obra custará R$ 1,2 milhão. "Minha filha vai estar alfabetizada e essa creche não vai ficar pronta", reclama Aparecida Dione Ribeiro, que mora em frente à obra do centro da cidade. "Parei de estudar para ficar em casa e a minha menina chora quando vê a irmã mais velha indo para a creche."

Inexperiente. Vencedora das licitações para construir as três creches e cinco quadras poliesportivas no município, a Viva Comercial de Alimentos e Serviços era especializada em fornecer merenda escolar para prefeituras. As obras de Santo Antônio são os primeiros contratos de obras públicas da empresa.

"Somos uma empresa embrionária e familiar, mas estamos chegando quente nessas obras de creches. Vamos participar da licitação em Águas Lindas de Goiás também", informou José Leni Vivas, encarregado das obras em Santo Antônio.

A Viva funciona em uma sala comercial na Asa Norte, em Brasília. Trabalha com subcontratações e, segundo os funcionários das obras em Santo Antônio, não tem pessoal suficiente para tocar os projetos. Esse seria um dos motivos para os atrasos. "A gente fica aqui só tapeando", contou um dos pedreiros. Eles também reclamaram de atraso nos pagamentos.

A Prefeitura de Santo Antônio do Descoberto negou a consulta aos documentos da licitação das creches. A consultoria jurídica do município informou que já foram empenhados R$ 3,9 milhões para a Viva e atribui a demora na conclusão das obras ao FNDE. A Viva também disse que os atrasos foram provocados pela demora no governo federal em liberar recursos.

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