GERALDO BUBNIAK/AGB
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Não pensei em qual vai ser a relação com o PMDB, afirma Aécio

Declaração foi feita horas depois de o governador Beto Richa dizer que não é preciso excluir o partido em um eventual governo tucano

José Roberto Castro e Pedro Venceslau, Enviados especiais/O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2014 | 14h10

Atualizada às 16h36

Curitiba - O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse nesta segunda-feira, 13, em entrevista coletiva em Curitiba, que ainda não sabe qual será o papel do PMDB em um eventual governo tucano. "Sinceramente, nem pensei nisso. A minha relação é com as forças políticas que estão no nosso entorno. Estou extremamente honrado com os apoios que tenho recebido desde que saiu o resultado das urnas", disse o tucano.

A declaração de Aécio veio horas depois de seu anfitrião na tarde desta segunda, o governador Beto Richa, dizer em entrevista exclusiva ao Broadcast Político que não é preciso excluir o PMDB em um eventual governo tucano. Segundo o governador reeleito do Paraná, há bons políticos no partido de Michel Temer. "Dá sim para fazer uma boa composição partidária que garanta a governabilidade a partir do Congresso Nacional, em altíssimo nível."







Presente no evento, o senador Alvaro Dias disse que Aécio "vai acabar com esse balcão de negócios" que existe na política brasileira. Quando questionado se o balcão de negócios incluía o deputado do PMDB Eduardo Cunha, cotado para assumir a presidência da Câmara em 2015, Dias ironizou: "Não o conheço, não sou do Rio de Janeiro".

Aécio falou ainda do apoio de Marina Silva, declarado neste domingo pela candidata que ficou em terceiro lugar nas eleições e disse que é possível que os dois se encontrem ainda esta semana. Depois de dizer que o acordo de Marina não era apenas eleitoral, mas para "o futuro", Aécio esclareceu que a declaração não quer dizer que haverá uma participação da ex-senadora em seu governo. 

"A forma como Marina veio honra a boa política brasileira. Não pediu absolutamente nada, não insinuou absolutamente nada em relação a cargos. Estamos fazendo algo muito maior", disse o candidato. O tucano afirmou ainda que, caso ficasse fora da disputa do segundo turno, não tem dúvidas de que estaria ao lado de Marina.

Depois de adiar a decisão por uma semana, Marina declarou neste domingo seu apoio a Aécio Neves. Antes dela, separadamente, Aécio já havia recebido o apoio de seu partido, o PSB, e da família do ex-governador Eduardo Campos. No pronunciamento, Marina afirmou que a decisão teve como base a carta de compromissos anunciada pelo tucano no sábado e que "a alternância de poder fará bem ao Brasil". "Votarei em Aécio e o apoiarei, votando nesses compromissos, dando um crédito de confiança à sinceridade de propósitos do candidato e de seu partido e, principalmente, entregando à sociedade brasileira a tarefa de exigir que sejam cumpridos", escreveu a ex-senadora. 

O candidato à Presidência chegou ao centro de convenções na zona oeste de Curitiba acompanhado dos correligionários Beto Richa e Álvaro Dias, reeleitos governador e senador pelo Paraná, além do senador eleito em São Paulo, José Serra.

Pesquisas. O candidato do PSDB ainda ironizou os erros das pesquisas de opinião no primeiro turno. Em tom de brincadeira, Aécio disse que as pesquisas só conseguiram captar o desejo de mudança. "A mudança venceu. Talvez tenha sido esse o único acerto das pesquisas de opinião, que captavam há algum tempo esse sentimento."

Aécio disse ainda que não está pensando em nomes para um eventual governo tucano e que só pensará nisso se ganhar as eleições. Até o momento, Aécio anunciou

Após a entrevista, o tucano discursou para políticos e militantes. Ao seu lado estavam os senadores eleitos Álvaro Dias e José Serra, além do governador do Paraná, Beto Richa. Em sua fala, Aécio agradeceu a votação no Estado. "O Paraná disse e o Brasil escutou: chega de desgoverno", discursou. 

'Libertação'. Mais tarde, em discurso a correligionários, Aécio afirmou que sua eleição representará uma "libertação" para o Brasil. "Quinze dias nos separam da libertação. Da libertação de um governo que respeita muito pouco a democracia que, como eu disse em Pernambuco, não respeita seus adversários", afirmou o tucano, antes de completar dizendo que vai vencer a eleição para "colocar a decência e a eficiência de novo a comandar os destinos dos brasileiros".

Ao lado de José Serra, recém-eleito senador por São Paulo, Aécio prometeu responder cada ataque petista com "dez verdades sobre eles".

Ao deixar o ato político, o candidato foi recebido na diretoria da Pastoral da Criança. Lá, ao lado do vice-governador do Paraná, Flávio Arns, assinou o pedido de beatificação da criadora da Pastoral, Zilda Arns, que morreu em 2010 em um terremoto no Haiti. Flávio é sobrinho de Zilda.

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