'Não pagaremos juros à União enquanto faltar vaga em creche'

Candidata do PSTU defende calote da dívida da Prefeitura e reversão dos recursos em áreas como educação e saúde

GUILHERME WALTENBERG, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2012 | 03h08

A candidata do PSTU à Prefeitura de São Paulo, Ana Luiza Figueiredo, defendeu ontem o calote da dívida do Município com a União, hoje em R$ 48 bilhões. Ela afirma que, caso eleita, se recusaria a pagar as parcelas anuais do acordo - hoje em torno de R$ 4 bilhões - até "zerar o déficit de creches na cidade". "Defendemos que não se pague a União e que se invista na saúde e em creches", afirmou a candidata, que também quer reestatizar o transporte público e reduzir o preço da tarifa de R$ 3 para R$ 1.

Ana Luiza foi a quarta participante da série Entrevistas Estadão. Todos os candidatos a prefeito de São Paulo foram convidados a participar de entrevistas ao vivo, até o fim da próxima semana.

A dívida paulistana com a União foi acordada em 2000, entre o então prefeito Celso Pitta e o presidente Fernando Henrique Cardoso. O governo federal assumiu o passivo da cidade, que desde então usa 13% da receita líquida para pagar juros e amortizações da dívida.

Em 2002, na gestão Marta Suplicy, os juros subiram de 6% para 9% por falta de pagamento de uma parcela prevista no acordo original - na época, a prefeita disse ser impossível pagar o valor, equivalente a um terço do orçamento anual da cidade. Hoje, há um consenso entre os candidatos de que a dívida se tornou praticamente impagável.

Greve. A candidata do PSTU, que é servidora federal e foi uma das fundadoras do PT e da CUT nos anos 80, criticou as políticas da presidente Dilma Rousseff em relação aos trabalhadores. Para Ana Luiza, o governo adotou uma postura de "arrocho salarial" e, por isso, está enfrentando a greve do funcionalismo federal. "Dilma está tendo uma política de congelar os salários. Não só não negocia, como também criminaliza os movimentos grevistas. O PT está se divorciando de sua história."

Ana Luiza também criticou as alianças de seu ex-partido - para ela, o PT se tornou "refém de seus financiadores". "Poderiam ter feito alianças com os trabalhadores, na nossa opinião (a sigla) se corrompeu. Deixam de ser representantes dos trabalhadores para serem representantes de si mesmos."

Ana Luiza defende, em vez de uma política de coalizão com outros partidos, a mobilização dos trabalhadores para mudanças sociais. "Trabalhadores com sua mobilização mudam as leis. Já derrubaram a ditadura e um presidente (Fernando Collor de Mello, em 1992)", argumentou. A candidata também classificou o Legislativo brasileiro como uma instituição "distorcida". "Consideramos que existe uma forma de representação - que é a Câmara, o Congresso -, a nosso ver, distorcida. Os sindicatos, as associações, elas representam o povo", pregou.

Com forte discurso estatizante, Ana Luiza criticou a gestão Gilberto Kassab (PSD) por subsidiar o sistema de transporte público e por conceder o serviço a empresas privadas. A candidata do PSTU defende a volta de uma estatal nos moldes da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), extinta na gestão Paulo Maluf. Ana Luiza também criticou a aliança do petista Fernando Haddad com o ex-prefeito do PP.

Na área social, também houve críticas à divisão do orçamento e aos valores destinados a setores como saúde e educação. Ana Luiza fez paralelos entre a política federal e a municipal, defendendo a aplicação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e de 31% da receita da Prefeitura na educação "propriamente dita" - hoje, 25% são destinados a manutenção e desenvolvimento de ensino e 6% a gastos como transporte e merenda escolar.

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