'Não me lembro de time tão fraco', ataca tucano

Em debate virtual, Serra compara equipe de Dilma com a de João Goulart na reta final de seu governo e pede união da oposição

PEDRO VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2013 | 02h10

Enquanto busca alternativas para incluir seu nome na urna eletrônica em 2014, o ex-governador José Serra endurece o discurso contra o governo federal e reforça sua agenda midiática. Em debate virtual com economistas e jornalistas promovido ontem pela consultoria do amigo Gesner de Oliveira, ex-presidente da Sabesp, ele voltou a pregar a unidade da oposição e destacou o momento de fragilidade do governo.

"Não me lembro de um time tão fraco. Lembra-me os seis últimos meses do governo Jango (João Goulart), ou 1992, no governo Collor", disse. Depois de reprisar o bordão adotado após as manifestações de junho - "o que falta no Brasil hoje é governo" - ele fez um resgate histórico para desqualificar os ministros de Dilma, que foi sua adversária na campanha de 2010.

"Defendo que haja uma unidade grande entre aqueles que são críticos, dos que são oposição hoje no Brasil em matéria de pensamentos e de projetos. Estou contribuindo para isso na minha possibilidade. Pretendo continuar contribuindo nessa direção independente do meu papel individual."

Quando questionado sobre suas pretensões eleitorais para o ano que vem e se pensa em deixar o PSDB, Serra negou-se a responder alegando que o debate era sobre economia. "Não acho que a antecipação da campanha foi uma coisa boa."

Fim de um ciclo. Em sua fala sobre o cenário econômico, o ex-governador disse que o Brasil chegou ao fim de um ciclo e atacou o que chamou de "modelo lulista" de crescimento que, segundo ele, foi mais centrado no consumo do que no desenvolvimento. "Havia um certo estilo de desenvolvimento que já chegou ao ponto máximo e deu sinais de esgotamento em 2010. A carga tributária não tem como contrapartida investimentos do governo em infraestrutura". Serra atribuiu a redução do desemprego nas gestões de Lula ao cenário de bonança externa e afirmou que isso não depende do presidente. "Quem estivesse no governo se beneficiaria desse cenário."

Apesar das críticas, pontuou que não prevê descontrole inflacionário no horizonte. Serra também disparou contra o plebiscito da reforma política proposto pela presidente Dilma Rousseff e encampado pelo PT. "Financiamento público é só para fortalecer o PT, que quer ser hegemônico no poder". Ele afirmou, ainda, que a presidente está promovendo a "satanização" dos médicos com o programa que prevê a contratação de profissionais estrangeiros. "Isso é para preencher agenda".

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