'Não houve nenhuma doação', diz Skaf sobre panfletos

Candidato do PMDB ao governo de SP comentou episódio com entidades do setor têxtil e disse estar à disposição do MP

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

16 de julho de 2014 | 18h16

São Paulo - O candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, disse estar pronto para dar explicações ao Ministério Público Eleitoral sobre a cartilha em que a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e o Sindicato da Indústria Têxtil recomendam votos e doações à sua candidatura, além das de outros políticos.

"Não tivemos nada a ver com isso e não houve nenhuma doação", disse nesta quarta-feira, 16, durante visita à 46ª Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios (Francal), no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. A Lei Eleitoral veda que sindicatos e outras entidades de classe façam doações em dinheiro ou por meio de publicidade a partidos ou candidatos.

Reportagem do Estado mostrou que as entidades produziram uma cartilha estipulando a meta de arrecadar R$ 1,5 milhão para campanha de 17 parlamentares federais, além do apoio a candidatos a deputado estadual e ao governo do Estado. Além de Skaf, os textos que foram parar nas redes sociais citam a candidatura do também peemedebista Josué Gomes da Silva ao Senado pelo Estado de Minas Gerais. Ambos foram presidentes da Abit. "Soube do caso pelo jornal, mas não houve nada concreto, pois não houve doação."

Segundo Skaf, após tomar conhecimento pelo jornal, ele entrou em contato com o Sinditextil e soube que a iniciativa foi do presidente Alfredo Bonduki. "Foi com a melhor das intenções. Ele teria recomendado meu nome junto com os de deputados que atuam em favor da categoria têxtil. Conheço bem a legislação e nossa equipe financeira sabe que entidade de classe não pode materializar qualquer  tipo de apoio financeiro." Skaf disse ter falado com o peemedebista mineiro, que também não sabia de nada. "Eu não recebi esse documento, nem sei se ele existe", disse Josué ao Estado.

Em nota, a Abit e o Sinditextil confirmaram que os candidatos não haviam sido consultados e disseram que a iniciativa não envolveu dispêndio de recursos. Para o advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, a ação é questionável. "A instituição não doou, mas há uma indução", disse. A Procuradoria Regional Eleitoral do Estado de São Paulo informou que não se manifesta sobre casos que podem se tornar objeto de sua atuação judicial e que qualquer cidadão pode fazer a denúncia pelo canal aberto no site da procuradoria. A Procuradoria mineira não se manifestou.

Incomoda. O candidato do PMDB reagiu à crítica do candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, de que ele seria o candidato dos empresários. "Esse é um pensamento do século 18 e estamos no século 21", atacou. Para ele, o comentário do petista mostra que eles estão em lados opostos em São Paulo. "Finalmente se vê que há uma disputa. O PT é meu adversário em São Paulo, assim como o PSDB também é. Quando tucanos e petistas me criticam, significa que estou incomodando os dois, então deixa eles criticarem."

No cenário nacional, o PMDB do vice-presidente Michel Temer apoia Dilma, mas Skaf se esquivou de comentar o palanque duplo. "Desconheço esse palanque duplo. Nossa eleição é estadual e aqui o PT é nosso adversário." 

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