'Não há proposta para extinção da secretaria'

Em entrevista ao Estado, a ministra Iriny Lopes negou qualquer estudo do governo para fundir a Secretaria de Política para Mulheres à de Direitos Humanos. Na avaliação dela, se isso ocorresse seria um retrocesso político, um recuo nas conquistas feministas - o que considera inadmissível.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2011 | 03h06

Como a senhora vê os comentários de que a pasta pode ser extinta na reforma ministerial?

A esse respeito tenho duas questões a ressaltar. A primeira é que o governo não está discutindo isso. Não existe nenhuma proposta dentro do governo destinada à extinção da secretaria. Não há ninguém pensando nisso. É por isso que não pretendo gastar meu tempo discutindo o assunto. A segunda questão é que o nosso governo é muito sintonizado com as demandas e as conquistas populares. Secretarias com status de ministério, como a nossa, foram conquistas. E o nosso governo tem a máxima de que no caso de conquistas não se recua. Pode ampliar, mas não recuar. Não há nada disso no interior desse governo.

E quanto aos rumores de que existem estudos nessa direção?

Um indivíduo do governo pode achar. Mas no governo não há discussão sobre o tema.

Pelos relatórios estaduais, observa-se a ênfase das militantes na questão do fortalecimento dos organismos que desenvolvem políticas para as mulheres.

O que se observa muito no Brasil é essa coisa de constituir o organismo, mas não de fortalecê-lo. Eles são criados sob pressão social, em decorrência de demandas reais, mas depois passam a funcionar sem condições mínimas, sem estrutura, sem telefone, assessores, técnicos, orçamento suficiente para sustentar um plano local e parcerias com o governo federal. Isso vale tanto para organismos municipais quanto estaduais.

Os preparativos para a conferência acabaram estimulando esse debate?

Diversos municípios constituíram seus organismos específicos durante o processo de preparação da conferência nacional. Nós estimulamos Estados e municípios a levar adiante essas ações e a constituir planos de ação de acordo com sua realidade. Embora haja um plano nacional de ação, com isso nós conseguimos descer para o locus, o meu lugar, o que eu preciso no meu município. As realidades são muito diferentes: São Paulo não é a mesma coisa que Guaxupé.

Além dessa questão, o que destacaria nos relatórios?

A segunda questão que mais angustia as mulheres é a expectativa de uma mudança substancial das condições de enfrentamento da violência doméstica. Os governos municipais, em parceria com o governo federal, é que podem dar boas condições para esse enfrentamento.

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