'Não há obstáculo para apoiar Chalita em São Paulo'

Embora o DEM tenha um nome para candidatura própria, Moraes admite conversas com PSDB e elogia deputado do PMDB

Entrevista com

GUSTAVO URIBE / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2011 | 03h05

Convocado pela cúpula nacional do DEM para reorganizar o partido em São Paulo, o presidente do diretório paulistano, Alexandre de Moraes, defende o lançamento de candidatura própria em 2012. Mas não descarta alianças com o PSDB, tradicional parceiro da sigla, nem com o PMDB do deputado Gabriel Chalita. "É um candidato bom, novo e que conhece a cidade", diz Moraes, que chegou a ser cotado como candidato à Prefeitura quando era secretário municipal. Hoje rompido com o prefeito Gilberto Kassab, ele prefere não avaliar o desempenho do criador do PSD e minimiza as chances da nova sigla. "Não há candidatura forte nem tempo de tevê."

Qual é a principal missão do sr. à frente do DEM em São Paulo?

Foi pedido a mim, no começo do ano, pelo senador Agripino Maia (RN) (presidente nacional da legenda), que eu pudesse ajudar na reorganização do DEM e dar uma cara nova à sigla. O DEM tem duas eleições importantíssimas: 2012 e 2014. Apesar dessa alteração que houve, o DEM continua sendo o quarto maior tempo de TV e continua tendo o quarto maior voto de legenda em São Paulo.

O projeto nacional do DEM, então, é lançar candidatura própria em 2014?

O projeto nacional do DEM, em 2012, é lançar candidaturas próprias, onde der, nas principais capitais e cidades. E dependendo do resultado deste pleito, nós poderemos construir uma candidatura para 2014.

O DEM pretende lançar candidatura própria em 2012 em São Paulo?

O DEM tem candidato próprio, que é o deputado federal e secretário estadual (de Desenvolvimento Social) Rodrigo Garcia, que foi muito bem votado na capital paulista. Para fazer a comparação de candidatos, ele teve quase o mesmo número de votos que o (pré-candidato tucano à Prefeitura) Bruno Covas teve na capital paulista (eleito deputado estadual em 2010).

Se o ex-governador José Serra for candidato, o DEM abre mão da candidatura própria?

Isso teria de ser discutido com a Executiva Nacional do DEM, mas há uma tendência natural de que, se o ex-governador José Serra for candidato, terá o apoio do DEM. É natural que nós o apoiássemos, como já o apoiamos anteriormente.

O PMDB está no radar de alianças do DEM? Em que pé estão as conversas com o PMDB?

Estamos tendo conversas tanto com o PSDB como com o PMDB. O PMDB nos procurou, vem conversando conosco em virtude da pré-candidatura do Gabriel Chalita, que é um candidato bom, um candidato novo e que conhece a cidade.

O DEM apoiaria Gabriel Chalita para a Prefeitura de São Paulo?

Nós estamos conversando. Eu diria o seguinte: não há nenhum óbice intransponível para apoiar a candidatura do deputado Gabriel Chalita. Assim como não há nenhum óbice em apoiar um dos candidatos do PSDB. Hoje nós temos candidatura própria, mas estamos conversando com o PSDB e o PMDB.

Em 2014, a tendência é apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin?

A tendência é apoiar a sua reeleição, independentemente de marcharmos ou não juntos em 2012. São coisas diferentes. Podemos ir juntos com o PSDB em 2012 ou não. Mas, independentemente disso, em 2014, a tendência é apoiar a reeleição.

Como o sr. avalia a gestão do prefeito Gilberto Kassab?

Não vou avaliar, por uma questão ética. Eu participei do final da primeira gestão e de quase metade da segunda gestão. Eu deixo a população avaliar.

Como senhor avalia a criação do PSD, sigla que levou o DEM a perder lideranças relevantes?

O PSD foi uma criação do prefeito de São Paulo, que conseguiu formá-lo, apesar de uma série de irregularidades no procedimento. É uma novidade no cenário nacional, mas que vai perder esse invólucro de novidade em 2012. E 2012 é crucial para o PSD. O PSD não se aliando ao PSDB em São Paulo, a situação do partido não vai ser muito confortável, até porque o PSD não tem tempo de televisão para a bancada em 2014. Não há, diferente do que se fala, uma candidatura forte do PSD (na capital paulista). Não há candidatura forte e não há tempo de televisão.

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