André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Não há identidade programática com o PSDB, diz Marina

Possibilidade de aliança entre Rede e tucanos tem sido levantada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Marianna Holanda e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 18h40

SÃO PAULO - A pré-candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, negou nesta quinta-feira, 7, uma possível aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), por falta de alinhamento nos programas. Como exemplo, ela citou a Operação Lava Jato, a qual disse não ver o PSDB defender.

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“Alianças exigem identidade programática. Não é apenas um cálculo pragmático para chegar ao poder”, disse a presidenciável. Questionada se haveria “identidade programática” com os tucanos, ela respondeu de pronto que não. “Não vejo o PSDB sair em defesa da Lava Jato e isso deve ser parte importante, integrante do programa”, afirmou, após uma reunião em São Paulo com o movimento Todos pela Educação.

A possibilidade de uma aliança entre a Rede e o PSDB tem sido levantada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na coluna do jornalista Bernardo Mello Franco no jornal O Globo publicada nesta quinta-feira, 7, o tucano elogiou a pré-candidata e disse que “não convém fechar as portas” com Marina.

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Sobre a declaração de FHC, a pré-candidata retrucou: “Não convém fechar portas para  história. E a história do Brasil mostra que é preciso uma renovação na política brasileira”. Ela disse ainda que tem uma relação de respeito com o ex-presidente, mas que está pensando mais em soluções para enfrentar o problema que o Brasil está vivendo, em que a maior parte dos partidos “está envolvida em casos de corrupção”.

A presidenciável da Rede está à frente de Alckmin nas pesquisas. No último Datafolha, de abril, Marina aparece empatada com o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), com 15% e 16%, enquanto o ex-governador de São Paulo varia entre 7% e 8%.  

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“O PT, PSDB, MDB, tem gente boa em todo lugar. Mas esses que estão no banco de reserva precisam vir pro campo, e aqueles que ficaram no campo o tempo todo e levaram a essa situação precisam de um espaço para se reinventar”, completou a pré-candidata.

Centro

Sobre a união do chamado "centro" nas eleições, Marina afastou a ideia de ser vinculada ao grupo de partidos que considera o apoio em torno de um nome para combater uma polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e candidatos da esquerda. "Eu não acredito em uniões que se dão apenas para disputar poder com outro grupo", falou.

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Com a possibilidade de ter pouco tempo de rádio e TV e correndo e risco de ficar isolada de outros partidos que apoiaram suas candidaturas anteriores, a pré-candidata da Rede negou a intenção de desistir da disputa. "Não vão ser engessamentos que me farão desistir". Para ela é possível "apostar na consciência da sociedade" ao ter expectativa de vencer as eleições.

Educação

Marina participou de uma conversa com integrantes do movimento Todos pela Educação, em São Paulo, para receber as propostas da organização para o setor. A organização está elaborando um programa apresentado a presidenciáveis. O grupo já se reuniu com João Amoêdo (Novo), Persio Arida, coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin (PSDB), e Nelson Marconi, formulador do programa de governo de Ciro Gomes (PDT), além de já ter tido uma conversa com Flávio Rocha (PRB).

Entre os autores do estudo, estão Binho Marques (PT), ex-governador do Acre e ex-ministro do governo Dilma Rousseff, que participou da conversa com Marina, a educadora Mariza Abreu, ligada ao PSDB do Rio Grande do Sul, e a socióloga Neca Setúbal, coordenadora do programa de Educação de Marina em 2014, além de outros quadros.

Em entrevista a jornalistas após o encontro, a presidenciável da Rede se posicionou favorável às cotas para negros, índios e estudantes da rede pública nas universidades.

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O objetivo de suas propostas na educação, reforçou, será igualar as condições de ensino dos setores público e privado. Ela defendeu a implantação de um sistema única da Educação, uma espécie de "SUS da Educação" para definir as diretrizes do ensino no País.

Sobre a reforma do ensino médio, feita pelo presidente Michel Temer, Marina evitou dizer qual atitude tomaria em um eventual governo. Ela reforçou apenas que o assunto será discutido. 

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