'Não há dúvida' sobre apoio a Dilma, diz Campos

Governador e presidente do PSB afirma que estará com presidente em 2014 e que 'não é hora de arroubos oposicionistas'

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h02

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, disse que "não há dúvida" de que seu partido vai apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014 e que "não é a hora de adesismos baratos, nem de arroubos de oposicionismos oportunistas". As declarações foram dadas em entrevista à revista Época, publicada neste fim de semana.

"Nós temos de ajudá-la a ganhar 2013. Ganhando 2013, Dilma ganha 2014. Então a forma de ajudar Dilma é dizer: em 2014 todos nós vamos estar com Dilma", afirmou Campos. "Queremos que a presidenta Dilma ganhe 2013 para que ela chegue a 2014 sem necessidade de passar pelos constrangimentos que outros tiveram de passar em busca da reeleição."

Nas eleições municipais deste ano, o PSB rompeu alianças de longa data com o PT em cidades como Recife, capital do Estado governado por Campos, Fortaleza e Belo Horizonte. Em todas, venceu a disputa contra o partido de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou público o descontentamento com a legenda e com Campos.

Passado o período eleitoral, o governador tratou de aparar rusgas que restaram da disputa - Dilma jantou com Campos no Palácio do Planalto em novembro, um dia depois de receber lideranças e parlamentares do PMDB. No entanto, declarações recentes a respeito da política econômica soaram como alfinetadas à forma como o governo vem lidando com a crise internacional.

'Conquistas'. Na entrevista, Campos afirmou que há "uma crise sem precedentes lá fora" e que a disputa política desde a redemocratização entre um bloco liderado pelo PT - "onde sempre estivemos incluídos" - e outro pelo PSDB "fez com que o País e o povo ganhassem".

"Houve conquistas para a população, no ciclo comandado pelo PSDB, e houve equívocos. E houve muitas conquistas no ciclo em que estivemos sob a liderança do presidente Lula", avaliou Campos. "Essas conquistas não estão inteiramente consolidadas. Se a gente eleitoralizar esse momento, se a gente não pensar o País de forma larga, a gente pode se ver como lá no Quincas Borba (romance de Machado de Assis): 'Aos vencedores, as batatas'. Mas o que você não pode, num momento como este, dessa importância, é interditar o debate político."

O governador elogiou Dilma - "Ela é uma mulher que tem dignidade, tem força de pelejar com seus valores" - e, embora seja amigo do senador tucano Aécio Neves (MG), usou o exemplo da capital mineira para refutar a hipótese de aliança com o PSDB em 2014.

"A aliança feita em Belo Horizonte foi gestada por mim? Não. Foi gestada por Fernando Pimentel, que é uma pessoa ligadíssima à presidenta, ministro dela, e por Aécio. Eles me chamaram para perguntar se o PSB toparia filiar o Marcio (Lacerda, prefeito reeleito da capital mineira)", contou. "Em palanque nacional, a última vez que estive com Aécio Neves foi no palanque de doutor Tancredo. Agora, daí a desejar que a gente não dialogue..."

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