Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Não há crise interna na Petrobrás, afirma ministro

Gilberto Carvalho compara cenário envolvendo estatal ao mensalão e vê exploração política no caso

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 12h05

São Paulo - O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, negou haver movimento dentro da Petrobrás contra a atual presidente da estatal, Maria das Graças Foster. Em entrevista à imprensa antes de participar de aula pública com alunos da Faculdade de Direito da USP, na manhã desta segunda-feira, 11, o ministro avaliou que há uma exploração eleitoral dos problemas da empresa.

"Não vejo esse clima (de crise interna). Pode ter gente menos satisfeita ou mais satisfeita. Mas a empresa continua investindo pesado, tocando o barco", afirmou. Para ele, os problemas pelos quais a Petrobrás passa são "normais" de qualquer empresa.

No domingo, 10, a presidente Dilma Rousseff convocou uma entrevista coletiva e definiu como "factoides" as suspeitas que envolvem negócios, dirigentes e ex-dirigentes da estatal. "Misturar eleição com a maior empresa de petróleo do País não é correto e não mostra nenhuma maturidade", afirmou. A Petrobrás tornou-se foco de debates desde que o Estado revelou que Dilma autorizou a compra da refinaria de Pasadena, quando presidia o conselho da estatal.

Desde então, a estatal é alvo de duas comissões de inquérito no Congresso e o Tribunal de Contas da União estimou prejuízo de US$ 792,3 milhões com o negócio. Onze dirigentes e ex-dirigentes foram apontados entre os possíveis responsáveis pelo episódio. A atual presidente da estatal, Graça Foster, não foi incluída mas TCU avalia suas eventuais responsabilidades na compra de Pasadena. A presidente Dilma Rousseff e o Conselho de Administração foram excluídos da relação de responsáveis pelo prejuízo da estatal.

A Polícia Federal instaurou inquérito ainda para investigar se Graça Foster omitiu do Senado informações relacionadas à negociação e sobre a existência de contratos celebrados pela empresa de seu marido, Colin Foster, com a estatal.

Nesta manhã, Gilberto Carvalho também comparou o cenário atual da estatal à época do escândalo do mensalão, revelado no primeiro mandato do governo Lula. "Na época, o (ex-presidente) Lula chegou e disse: o que eles querem é que a gente pare de trabalhar. Houve aquela espuma toda e nós seguimos trabalhando. Quando a espuma baixou, o povo viu o resultado", contou.

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