Maíra Kiefer/CMNH
Maíra Kiefer/CMNH

'Não existe o Estado mínimo', diz pré-candidato do PDT ao governo gaúcho

Jairo Jorge propõe que o lucro das empresas estatais seja revertido em um fundo a ser aplicado na educação

Entrevista com

Jairo Jorge, pré-candidato do PDT ao governo do Rio Grande do Sul

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 05h00

PORTO ALEGRE - Ex-prefeito de Canoas, o pré-candidato do PDT Jairo Jorge diz que pretende se firmar como uma liderança de centro-esquerda. É contra as privatizações e levanta bandeiras como a "desburocratização total" e parcerias público-privadas (PPP). Ele propõe que o lucro das empresas estatais seja revertido em um fundo a ser aplicado na educação.

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Citado na Operação Lava Jato por supeitas de ter recebido dinheiro via caixa 2 para a campanha à prefeitura de Canoas de 2008, o pré-candidato afirma que as doações foram legais. Abaixo os principais trechos da entrevista:

O sr. era um dos principais nomes do PT no Estado, mas deixou o partido em 2016. Por que?

Eu respeito muito o PT, mas não tinha mais convergência entre as minhas ideias e o PT. Continuo com as mesmas ideias que me movem há 33 anos. Busquei um partido que tem aderência com meus pensamentos.

E quais são esses pensamentos?

Um deles é a questão da educação. O único partido que não avalia a educação de forma periférica é o PDT. Um partido que pode se orgulhar de seu passado. Tem líderes como Getúlio, Leonel Brizola (governador do Rio Grande do Sul entre 1959 e 1963) e Alceu Collares (governador do Estado/1991-1995).

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Mas é um partido que tem presente, num momento tão difícil do País está de cabeça erguida. Por isso tem futuro e, na figura de Ciro Gomes, encarna esse momento de esperança, de um Brasil que olha para frente. Por isso fiz a escolha madura pelo PDT. Tenho uma história de seriedade e de trabalho. Me orgulho do meu passado, procurei fazer uma boa administração e fui reeleito com 71% dos votos.

Algumas de suas ideias foram consideradas ‘liberais’. O sr. foi até chamado para um painel com outros pré-candidatos justamente por defender esses pensamentos. Como o sr. vê isso?

Eu sou um homem de esquerda e a Simone Leite (presidente da Federasul, que promoveu o painel) sabe disso porque foi minha secretária (de Desenvolvimento Econômico). Ela sabe que tenho ideias que estão conectadas com o setor produtivo. Mas estou apresentando um conjunto de propostas inovadoras que saem do script tradicional da esquerda e quero montar uma liderança de centro-esquerda.

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Nosso maior desafio é fazer o Estado crescer, e nós só vamos fazer isso com desburocratização total. Somos o Estado mais burocrático do Brasil. Temos que buscar exemplos positivos no País. Como prefeito, licenciamos empreendimentos rapidamente, em menos de 60 dias. É possível. Outro ponto é a redução da carga tributária, que eu também fiz em Canoas. Penso que a questão central é quem terá soluções inovadoras e quem trará soluções conservadoras.

Com o sr. haverá privatizações no Estado?

Eu sou contra a privatização. Esse modelo da Inglaterra da (ex-primeira-ministra do Reino Unido, Margareth)Thatcher não tem mais lugar no Rio Grande do século XXI. Temos que buscar PPPs, ter outros modelos de gestão e valorizar o servidor público. Eu defendo um Estado necessário.

Não existe o Estado mínimo, mas também o Estado máximo já provou que não dá certo. Temos que tornar as empresas públicas lucrativas. Aliás, estou propondo a criação de um fundo para educação. Toda a lucratividade das estatais será deslocada para esse fundo. Empresa pública é para dar lucro.

Como o sr. vai lidar com a questão da segurança pública?

É preciso profissionalizar as corporações, armar e aumentar efetivo. Temos o menor efetivo desde 1976. Vamos investir em inteligência, um sistema que passe por câmeras, por cercamento eletrônico, usar informação de onde acontecem os crimes. Também precisamos ter um trabalho de prevenção que comece pela criança, com ensino integral e com educação profissional.

E necessitamos de um novo sistema prisional. A Penitenciária Estadual de Canoas é a única que usa bloqueador para celular, que tem uniforme, porque não tem facções lá dentro. Também oferece trabalho e estudo. Esse exemplo pode e deve ser ampliado para o Estado. Para isso proponho a venda ou a permuta de propriedades e ativos do Estado para a construção de delegacias e presídios. Precisamos gerar recursos novos a partir dos dividendos dessa parceria.

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Alexandrino Alencar, ex-diretor da Odebrecht, afirmou em delação na Lava Jato que o sr. recebeu da empreiteira R$ 50 mil em caixa 2, na campanha de 2008, e R$ 400 mil legais, na de 2012, para facilitar obras na rodovia ERS-010. O que o sr. tem a dizer?

Já fiz todos os esclarecimentos sobre isso. O PT fez doações para as minhas campanhas e lá estão discriminados os valores que foram depositados por eles e que coincidem com os que estão sendo afirmados pelo delator. Esses recursos entraram de forma oficial. Não podemos transformar aquilo que é legal em ilegal. Até 2014 era legal doações de partidos.

As empresas podiam doar para os partidos e os partidos repassavam para os candidatos. Foi o que aconteceu comigo. Todas as minhas contas foram aprovadas sem ressalvas. Esses valores entraram formalmente na minha campanha. Com relação à obra que ele fala, ela é do governo do Estado. Eu realizei 835 obras na minha cidade, em nenhuma a Odebrecht sequer participou de licitação.

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