Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

'Não existe a menor chance de haver ruptura institucional', diz ministro da Defesa

Perguntado se Bolsonaro representaria uma ameaça à democracia, o ministro disse que isso 'não existe', já que o candidato do PSL tem atuação política

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 16h40

Em entrevista ao Estado, o general Joaquim Silva e Luna, atual ministro da Defesa, afirmou que não há "a menor chance" de haver uma ruptura institucional do País em função da ascensão do protagonismo de militares no processo eleitoral, impulsionada pela candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas de intenção de voto para presidente.

Perguntado se Bolsonaro representaria uma ameaça à democracia, o ministro disse que isso "não existe", já que o candidato do PSL tem atuação política - e não militar. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

O protagonismo dos militares nas eleições é em razão de Jair Bolsonaro?

O protagonismo dos militares tem a ver, sim, com o fato de um dos candidatos bem posicionados, o deputado Jair Bolsonaro, ser oriundo das Forças Armadas e defender valores fundamentais para os militares como ética, moral, honestidade, respeito às pessoas, às leis e à família. Também tem a ver com o fato de as pesquisas de opinião mostrarem que as Forças Armadas têm alto grau de confiabilidade. Há um grande número de militares disputando as eleições. Vale lembrar que o comandante supremo das Forças Armadas é o presidente da República, eleito democraticamente pelo povo, não importando seu partido ou origem. 

Há manifestações de preocupações com a possibilidade de ruptura institucional. Há esta possibilidade?

Não existe a menor chance de haver ruptura institucional. Até porque, uma das missões que a Constituição atribui às Forças Armadas é a garantia às instituições.

Bolsonaro ameaça a democracia ou significa a volta do governo militar?

Não existe isso.  Jamais. Bolsonaro é um político. Está na sua sétima legislatura. Toda a sua atuação é política e continuará sendo.

Os militares da ativa das Forças Armadas em um eventual governo Bolsonaro poderão ter uma participação direta no governo?

Também não. As Forças Armadas têm suas atribuições definidas na Constituição. O convite a uma participação de militares no governo é uma escolha do presidente da República e dependerá da aceitação do convidado. Ele terá de preencher os requisitos legais para o cargo. E mais: ele teria de deixar o serviço ativo e ir para a reserva.

Em uma eleição tão polarizada há preocupação de que a política possa voltar a entrar nos quartéis?

Os futuros comandantes das três Forças terão de estar atentos para que se mantenham as linhas de hoje, de serem instituições apolíticas, que funcionem como instituição de Estado. É preciso manter a política fora dos quartéis. A Constituição é o nosso farol. 

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