‘Não era para fazer campanha, mas eu fiz’

Em SP, Padilha é lançado por colega de Esplanada

FABIANA CAMBRICOLI, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2013 | 02h05

Mesmo sem contar com nenhuma verba do Ministério da Saúde, a criação de uma casa provisória para mulheres vítimas de violência, anunciada anteontem em São Paulo, teve o ministro Alexandre Padilha como convidado ilustre.

Durante o evento, realizado na sede da Prefeitura, o provável candidato do PT ao governo do Estado foi chamado para compor a mesa, discursou por 11 minutos e ainda recebeu elogios rasgados da colega Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria de Política para as Mulheres - pasta do governo federal responsável pela parceria com a Prefeitura na implantação do serviço, batizado de Casa de Passagem.

Na plateia do auditório, as cerca de cem pessoas presentes, a maioria integrantes de movimentos de mulheres, ouviram a ministra elogiar as políticas do Ministério da Saúde na área.

"O Padilha dispensa comentários e dispensa elogios, mas eu vou fazer. Esse menino de 42 anos é um dos maiores gestores de saúde com quem eu já convivi. Além de ser competente, executor, ele é um gestor absolutamente sensível", disse ela. "Então, Padilha, só tenho a agradecer a parceria que você tem feito conosco, comigo, e lamentar, por um lado, que eu vou te perder como ministro, mas eu vou te ganhar como governador. Não era para fazer campanha, mas eu fiz", finalizou, arrancando aplausos dos participantes.

Em sua fala, Padilha também fez questão de relatar as ações de seu ministério na área da saúde da mulher. Falou sobre o programa de vacinação gratuita contra o HPV, a aquisição de equipamentos ginecológicos para postos de saúde e ressaltou a abertura de novos serviços para mulheres vítimas de violência. "Quando começou o governo do presidente Lula, nós tínhamos no Brasil inteiro 82 serviços no SUS para mulheres vítimas de violência. Hoje, em 2013, nós estamos chegando a 623 serviços", disse.

Questionado sobre o que justificava sua participação no evento, Padilha afirmou que a Casa de Passagem contará com profissionais de saúde. "Fui convidado por dois motivos: um porque a Rede Hora Certa, que o Ministério da Saúde financia no município, realizou 200 mil exames para mulheres. E nós temos uma parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres", afirmou.

No mesmo dia, Alexandre Padilha ainda participou de um evento com empresários do setor de saúde e de um encontro com vereadores petistas do Estado de São Paulo.

Samu. A agenda de Padilha no Estado que pretende governar teve início no dia anterior. Para comemorar os dez anos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o ministro da Saúde foi a Tatuí distribuir ambulâncias. Ao custo de R$ 50 milhões, foram entregues 363 viaturas equipadas para 199 municípios. O ministro anunciou também a liberação de recursos adicionais para o custeio das unidades, no valor de R$ 35,8 milhões por ano.

Sem paletó, com as mangas da camisa arregaçadas, dispensando a tribuna para falar, Padilha mostrou-se generoso. De cara, anunciou que havia dobrado o repasse de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) para Tatuí, de R$ 1,1 milhão para R$ 2,2 milhões.

O ministro anunciou ainda um reajuste de 20% para todos os municípios que aderiram ao Samu em unidades da federação em que o governo estadual não complementa a verba repassada para o serviço.

"São Paulo e outros Estados não ajudam com nenhuma verba, o Samu é mantido apenas pela União e pelo município, por isso estamos aumentando o repasse", anunciou. "Vamos atingir 150 milhões de brasileiros atendidos pelo Samu."

A entrega de ambulâncias do governo federal aconteceu um dia depois que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) distribuiu 26 veículos semelhantes a prefeitos da região, em Sorocaba. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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