Não é ofensivo dizer qual o time de Kassab, diz Alckmin

Governador e candidato à reeleição afirma que não há 'juízo de valor' ao mencionar nome de ex-prefeito em propaganda eleitoral com críticas a Skaf; candidato ao Senado reclamou de 'agressão'

ELIZABETH LOPES, Agência Estado

04 de setembro de 2014 | 13h33

São José dos Campos - O governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo PSDB, Geraldo Alckmin, disse nesta quinta-feira, 4, que não há razão para o ex-prefeito Gilberto Kassab, candidato ao Senado pelo PSD, na coligação do peemedebista Paulo Skaf, ficar ofendido com a propaganda que sua campanha veiculou, dizendo que Skaf esconde (Dilma), mas está com Kassab, com Paulo Maluf e com o ex-governador Luiz Antônio Fleury. "Não tem nada de ofensivo dizer qual é o time (que Kassab está)", retrucou o tucano.

Nessa quarta, 3, em entrevista ao Estado, Kassab falou que ficou ofendido com a propaganda, principalmente por ter sido convidado por Alckmin a integrar a sua chapa nesta campanha estadual, e argumentou que agora os palanques podem ser diferentes, mas o respeito deve prevalecer. Na justificativa da propaganda que o PSDB está veiculando, Alckmin disse ainda: "A população tem o direito de saber quem são as companhias (de um candidato), não há nenhum juízo de valor nisso."

Em visita ao 3º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), na cidade de São José dos Campos, na manhã desta quinta, Alckmin falou também sobre o direito de resposta que sua coligação ganhou contra o adversário Paul Skaf, segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto no Estado. "Quero apenas repor a verdade. Ganhei direito de resposta porque a campanha dele mentiu e foi uma mentira tão deslavada que a Justiça deu direito de resposta no programa (do horário eleitoral gratuito) dele", frisou.

Ainda sobre a propaganda veiculada pela candidatura de Skaf, que acusa o governador de manipular o registro de ocorrência de crimes contra policias militares, Alckmin - que ganhou um minuto de direito de resposta na propaganda noturna do adversário peemedebista - reiterou: "Não pode ir pra a TV ofender as pessoas, dizer que elas cometeram crime, e (ainda) usar dados errado. É uma mentira deslavada." Segundo ele, este direito de resposta será exercido amanhã (sexta-feira, dia 05).

Indagado sobre o crescimento da candidatura Skaf nas recentes pesquisas de intenção de voto, o governador disse que continua confiante no julgamento da população de São Paulo nessas eleições. "É preciso ter humildade e muito trabalho, por isso vamos trabalhar permanentemente. Tenho confiança no julgamento da população, pois acho que a população reconhece quem trabalha." Sobre a hipótese de um eventual segundo turno contra Skaf, Alckmin apenas sorriu e disse: "Temos de ter humildade, primeiro é preciso tratar de trabalhar."

O governador, na visita que fez ao Batalhão da PM em São José dos Campos, anunciou que amanhã entra em operação no Vale do Paraíba o Batalhão de Ações Especiais da Polícia (BAEP), especializado no enfrentamento do crime organizado, organizações criminosas e nas ações que demandam um trabalho especializado. "E pretendemos expandir esses batalhões para todo o Estado", prometeu.

Alckmin foi questionado sobre denúncias de que cinco policias militares de São José dos Campos teriam cometido racismo, ao abordar, no dia 29 de agosto, três homens negros. E frisou que é preciso aguardar "a apuração rigorosa" que está sendo feita pela polícia, porque há todo um sistema de corregedoria. Mas, adiantou que sua gestão tem tolerância zero contra qualquer tipo de ação irregular.

O secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, que acompanhou o governador nesta visita, disse sobre a denúncia de ocorrência de racismo que há um inquérito policial instaurado para apurar este fato. "É bom que se diga que as imagens (gravadas) não revelam uma ação antirracismo da polícia, ou um comportamento irregular, as imagens não permitem que se diga isso, mas estamos apurando o caso."

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