Não é inteligente usar mensalão, diz ministro

Gilberto Carvalho afirma que apelo moral não funcionou em outras campanhas eleitorais; segundo ele, 'quem tentou não se deu bem'

RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2012 | 03h08

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou ontem que quem usar o mensalão na campanha do 2.º turno "não vai se dar bem". "A única coisa que posso dizer é que aqueles que têm apostado no uso político de fatos como esse nunca se deram bem. Quem na eleição passada tentou usar temas morais para fazer campanha não se deu bem", disse Carvalho após participar de seminário no Palácio do Planalto.

"O primeiro turno registrou a vitória das forças progressistas do País, acho que isso tem de ser comemorado, então quem for inteligente não vai tentar fazer esse uso", afirmou o ministro.

As declarações ocorrem dois dias após a condenação pelo Supremo Tribunal Federal do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, um dos principais nomes do PT, no processo do mensalão por corrupção ativa. Também foram condenados pelo crime o ex-presidente do partido José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares.

Desde o início do julgamento, Carvalho tornou-se uma espécie de porta-voz do Planalto para rebater as críticas da oposição e defender o PT e o governo. Na última segunda-feira, o ministro já havia admitido que o julgamento tirou votos de petistas no 1.º turno, mas disse que seria difícil "quantificar". Na ocasião, considerou "massacrante" o uso do tema pela campanha do tucano José Serra à Prefeitura de São Paulo.

O tema mensalão também foi usado em outras campanhas, incluindo Belo Horizonte - onde as críticas ficaram por conta do senador Aécio Neves (PSDB) - e Salvador - ACM Neto (DEM) atacou o adversário petista por causa do julgamento no Supremo.

"A população tem muita sabedoria pra julgar e entender que o que vale é a prática de um projeto que está mudando o País, diminuindo a pobreza, que recolocou o Brasil numa outra dimensão, e esse projeto ao ser levado pras prefeituras também tem dado muito certo", afirmou Carvalho.

"Não aconselho as pessoas que querem fazer esse uso que o façam porque, graças a Deus, a população brasileira tem muito bom senso, e sabe distinguir perfeitamente o que é uma coisa e o que é outra coisa, e cuida muito do seu futuro, da sua família, da sua cidade. Estamos bastante tranquilos quanto a isso", disse.

Como contra-ataque no "duelo ético", os petistas pretendem partir para cima do PSDB cobrando o julgamento com rigor do mensalão mineiro. Resolução do PT divulgada anteontem, um dia após a condenação de Dirceu, diz que "não é a primeira nem será a última vez que os setores conservadores demonstram sua intolerância, sua falta de vocação democrática, sua hipocrisia, os dois pesos e medidas com que abordam tema como a liberdade de comunicação, o financiamento das campanhas eleitorais, o funcionamento do Judiciário, sua incapacidade de conviver com a organização independente da classe trabalhadora brasileira".

Demissão. Sobre a demissão de Genoino do cargo de assessor especial do Ministério da Defesa, Carvalho disse que é uma "perda bastante grande e que dói muito para todos nós". Emocionado, Genoino anunciou o pedido de demissão durante reunião do Diretório Nacional do partido, criticando o STF por, nas suas palavras, transformar "ficção em realidade" no julgamento do mensalão. "Essa questão do Genoino é acima de tudo para nós uma perda de um colaborador que durante a gestão do ministro Nelson Jobim prestou uma colaboração extraordinária, o ministro Jobim reconheceu isso, tanto que o recomendou ao ministro Celso Amorim, ministro Celso Amorim também o tinha em alta conta, o Genoino foi fundamental, importantíssimo no diálogo com as Forças Armadas. Efetivamente não podemos deixar de registrar que é uma perda bastante grande e que dói muito para todos nós."

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