Filipe Araújo/Divulgação
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'Não é hora de experimentos', diz Tatto sobre voto útil em Boulos

Em entrevista à Rádio Eldorado, candidato do PT destaca seu trabalho na administração pública, como secretário de Marta e Haddad

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 10h53

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, quinto colocado nas pesquisas, aposta na experiência para evitar o voto útil dos petistas em Guilherme Boulos (PSOL), terceiro colocado. Indagado em entrevista à Rádio Eldorado, na manhã desta quarta-feira, 28, sobre o que fazer para impedir que o eleitorado de esquerda migre para Boulos na reta final, Tatto disse que São Paulo precisa de "experiência" e que não é hora de "experimentos". 

"A cidade está muito machucada, muito desigual, e nós precisamos de alguém que tenha pulso firme, experiência. Não é o momento de a gente ficar fazendo experimentos do ponto de vista de como saber governar a cidade de São Paulo. E de todos os candidatos e candidatas eu sou o que ficou mais tempo na administração pública", disse Tatto.

O candidato do PT foi quatro vezes secretário municipal nas gestões Marta Suplicy (2001-2004) e Fernando Haddad (2013-2016). Boulos nunca ocupou cargo público. As duas campanhas vêm mantendo uma política de não agressão na disputa em São Paulo. 

Em entrevista publicada pelo Diário do Grande ABC na segunda-feira, 26, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o PT deve apoiar Boulos no segundo turno caso Tatto não chegue lá e espera o apoio do PSOL se a situação for inversa. A possibilidade de que o eleitorado de esquerda migre para Boulos na reta final da campanha para evitar um segundo turno entre Bruno Covas (PSDB), que tenta a reeleição, e Celso Russomanno (Republicanos) assusta o PT. 

Na entrevista à Rádio Eldorado, Tatto salientou que as dificuldades impostas pela pandemia do novo coronavírus aumentam a necessidade de um prefeito com experiência administrativa."Essa questão do voto útil pode ser no Jilmar Tatto também. Estou convencido que neste momento de pandemia em que a cidade precisa se recuperar, em que precisamos fazer várias frentes de intervenções na área da saúde, habitação, educação principalmente, manutenção da cidade, de reorganizar a prefeitura, a cidade precisa de alguém que tem experiência, alguém que já fez, que conhece", disse o petista. 

Segundo o Ibope, Tatto tem hoje 4% das intenções de voto, bem abaixo do patamar histórico do PT na cidade, de 15%. Ele está atrás de Márcio França (PSB), com 7%;  Boulos, que tem 10%, e dos líderes Russomanno (25%) e Covas (22%).

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Na última semana, Tatto intensificou a presença de Lula em seu programa de TV. Nesta quarta-feira ele reforçou este vínculo dizendo que o ex-presidente é seu "padrinho político" e disse acreditar em uma disputa apertada para decidir quem vai enfrentar Covas no segundo turno. 

"Acho que estaremos embolados todos nós. Eu, Boulos, Márcio França e o Russomanno. No início da campanha eu até achava que o Russomanno chegaria em primeiro lugar, mas o desastre do governo (Jair) Bolsonaro (que apoia o candidato do Republicanos) é tão grande e ele tem o histórico de não ser um candidato de chegada, larga bem e termina mal. Então a população percebeu que ele não tem proposta, é sonso em termos de proposta e vamos chegar embolados. Eu vou subir na reta final", disse Tatto.

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O candidato do PT, que foi duas vezes secretário municipal de Transporte, disse que, se for eleito, pode voltar a restringir a velocidade nas marginais, a exemplo do que fez na gestão Haddad. "Eu reduzi a velocidade na cidade e com isso reduzimos o número de acidentes. Nas marginais eu vou dar uma olhada e discutir com a área técnica. Sei que existe um estudo do Ministério Público que comprovou efetivamente que depois que o (João) Doria aumentou a velocidade cresceram os números de mortes e acidentes. A redução de velocidade não é um capricho pessoal. A área técnica vai estudar e vou tomar a decisão que a área técnica apontar¨, disse Tatto.

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