'Não dá para implodir pontes, mas há uma nova consciência'

Substituto de Jucá no Senado diz que vai aproveitar oportunidade para mudar 'práticas políticas condenáveis'

Entrevista com

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2012 | 03h03

O maior desafio que o novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), se impôs foi o de ser e fazer diferente de Romero Jucá (PMDB-RR), que se manteve no posto por quase 18 anos. "O Brasil vem crescendo e há uma nova classe média surgindo com novos valores", disse Braga ao Estado. "Regras e práticas políticas condenáveis precisam ser mudadas e esta é a oportunidade", afirmou, confiante após receber apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula agora apoia a proposta de mudança na relação com o Congresso, mas governou com velhas práticas, como o fisiologismo.

Lula está convencido de que o País mudou e está preparado para enfrentar essas transformações. Ele, eu e a presidente Dilma Rousseff sabemos que não é para implodir pontes. É mostrar que há um novo modo de fazer política. Não é possível que a classe política não entenda que se pode adequar práticas republicanas a uma nova consciência nacional.

Que novas práticas serão estas?

É fazer a interlocução com o Congresso não baseada no varejo, mas em projetos e políticas públicas. Aconselho-me com Lula há mais de dez anos e ele me disse que o Brasil de hoje não é mais o de 2002 e que vale a pena fazer uma frente pela transformação. Que Deus me proteja, porque sei o tamanho da bronca que é isto.

Esta mudança exige nova postura do governo. Aliados se queixam de que não são ouvidos. A presidente está disposta a isso?

Claro que sim. Ninguém muda nada sozinho. A presidente está convencida de que vale a pena fazer este esforço. Não existe mudança sem luta.

Será possível mudar com um Congresso habituado a velhas práticas fisiológicas?

Uma base tão grande como a da presidente tem bons valores. Por que aliados como os senadores Pedro Taques (PDT-MT), Cristovam Buarque (PDT-DF), Ana Amélia (PP-RS) e Pedro Simon (PMDB-RS) não podem ser mais ouvidos e influentes no governo?

E como ficam velhos aliados?

Isso não significa que a experiência e sabedoria do presidente (do Senado) José Sarney não são valorosas. Foi a partir de sua atuação na transição democrática que se abriu espaço para transformações.

Como ficará o PR nesse novo conceito de interlocução?

O PR tem de entender esse clamor que acreditamos ser da sociedade. Cargo é consequência e não se pode inverter a ordem do fator porque, nesse caso, altera o produto. Temos de discutir o projeto e concluir que fulano tem perfil capaz de conduzi-lo. O que não pode é dizer: nomeia o fulano, porque ele é do partido tal. / C.S.

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