Pedro Venceslau/Estadão
Pedro Venceslau/Estadão

'Não dá para esquecer que Marta ficou 30 anos no PT', diz Doria no primeiro dia de campanha

Candidato à Prefeitura de São Paulo visitou canteiro de obras, comeu pão com queijo e fez uma oração no final; à tarde, comitiva cruzou por engano com candidata Erundina e foi alvo de protestos

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2016 | 10h53

O empresário João Doria, candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, escolheu seus três adversários de origem petista como alvo nessa terça-feira, 16, data que marca o início oficial da campanha. 

“Respeito a Marta (Suplicy), mas não dá para esquecer que ela ficou 30 anos no PT, partido do qual ela é fundadora”, afirmou. A senadora deixou o PT no ano passado e filiou-se ao PMDB para disputar a Prefeitura.

“Uma vez PT, sempre PT. Ninguém pode negar o seu passado. Não quero estigmatizar Marta, Erundina e Haddad, mas não dá para esquecer que eles são do PT. E o PT gerou 12 milhões de desempregados, recessão e inflação”, concluiu o tucano.

Quando questionado sobre as críticas recorrentes à sua candidatura feitas pelo do ex-governador Alberto Goldman, que é vice presidente nacional do PSDB, o candidato disse que respeita a posição dele, mas insinuou que deveria deixar o partido.

“Aqueles que são do PSDB devem lealdade ao partido. O estatuto diz que se deve respeitar as decisões (da sigla). Se alguém está em desacordo, a melhor alternativa é sair. Não é compreensível que, estando dentro do partido, se faça oposição a ele”.

Doria também disse que a participação em sua campanha do ministro das Relações Exteriores, José Serra, será uma questão de tempo.  Durante as prévias do PSDB, Serra apoiou o vereador Andrea Matarazzo, que acabou deixando a legenda, se filiando ao PSD e se aliando à Marta, de quem é vice na chapa.

Pão com queijo. Doria escolheu um canteiro de obras na Barra Funda, onde está sendo construído um condomínio, para começar sua campanha. Havia acabado de amanhecer quando ele chegou ao local para tomar café com os operários. Depois de circular pelo refeitório acompanhado por uma equipe de TV de sua campanha, Doria comeu um pão com queijo e tomou café com leite.

Em seguida, discursou para os funcionários - a maioria deles nordestinos - e ressaltou sua origem baiana. Em sua primeira fala, ele escolheu o PT como alvo e repetiu um bordão recorrente:  “Nossa bandeira nunca será vermelha”.

No final do evento, Doria pediu a todos que levantassem as mãos para uma oração.

Protesto.  À tarde, uma cena inusitada. Doria e a candidata do PSOL, Luiza Erundina, marcaram passeatas no mesmo local e no mesmo horário. O tucano começou com uma passeata na Sé, e, ao ser informado de que a candidata estava nas proximidades, desviou a rota pela rua Direita rumo ao Viaduto do Chá. Os dois grupos, porém, acabaram se encontrando na Praça do Patriarca e cruzaram juntos o viaduto até o Theatro Municipal.

O encontro foi marcado por provocações de ambas as partes. Enquanto militantes tucanos gritavam "mensalão" e diziam que Erundina ainda é petista, partidários do PSOL faziam coro pedindo que Doria permita a participação da candidata nos debates na TV. Pelas novas regras, podem participar dos debates na TV apenas candidatos de partidos que tenham pelo menos nove deputados em suas bancadas.

Caso essa exigência não seja cumprida, a participação fica condicionada a um acordo entre os demais candidatos. Celso Russomanno (PRB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) disseram publicamente que aceitam a participação da deputada do PSOL. Já a senadora Marta Suplicy (PMDB) e Doria se opõem. Em entrevista aos jornalistas, Erundina cobrou do tucano que permita a participação dela. 

Cercado por correligionários e cabos eleitorais, Doria fez 'selfies' e distribuiu abraços. Depois de discursar nas escadarias do Theatro Municipal, onde mais uma vez disse que sua bandeira “é verde e amarela, e não vermelha”, ele pegou um metrô na República e, acompanhado de um séquito, foi até seu escritório na Avenida Faria Lima.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.