‘Não dá para a Rede chegar e apertar o delete em tudo’, diz dirigente do PSB

Márcio França defende que legenda apoie a reeleição de Alckmin em 2014 e diz que vai buscar consenso com os novos aliados

Entrevista com

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2013 | 03h18

Aliado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, o presidente do PSB paulista, Márcio França, está sendo pressionado pela Rede, que passou a fazer parte da legenda, a se afastar dos tucanos e lançar um candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes. Principal interlocutor de Eduardo Campos no Estado, França acha que seria um erro seguir esse caminho. O plano defendido por ele é que Campos tenha espaço no palaque de Alckmin.

Como será a participação da Rede em São Paulo?

Os membros da Rede foram convidados a ocupar a sede do partido. Vamos trocar a placa e colocar com o logo PSB/Rede. Fizemos uma comissão paritária com 4 membros nossos e 4 deles para rodar o Estado.

Antes da chegada da Rede, o PSB estava muito próximo de fechar apoio à reeleição de Alckmin. Isso mudou?

No PSB os diretórios estaduais têm autonomia. É claro que é preciso bom senso. Sou próximo do Eduardo e jamais faria algo que pudesse prejudicá-lo. Não dá para chegar agora e apertar o delete em tudo.

Por que o sr. considera que apoiar a reeleição de Alckmin é a melhor opção para o PSB?

Eu penso que o nosso primeiro adversário é o Aécio Neves (PSDB). Não dá para imaginar um 2.º turno sem a Dilma. Sendo assim, precisamos encontrar mecanismos para equilibrar o jogo. Em São Paulo, pelo menos em tese, o Aécio teria uma vantagem muito grande, já que o Estado é governado pelo PSDB. Se o PSDB tiver São Paulo e Minas, será praticamente impossível para Campos chegar ao 2.º turno. Desde o começo eu tive a missão de fazer a aproximação entre Alckmin e Eduardo.

Como foi feita a aproximação?

O governador foi muito correto e abriu espaço para o PSB. Ofereceu várias secretarias, mas pedi a menor que tinha (do Turismo). A relação era política, não administrativa. Ele nos ajudou muito na eleição de 2012 em cidades importantes, como Campinas. É claro que, oficialmente, ele fará campanha para o candidato do PSDB. Mas sinto que existe uma simpatia. Campos e Alckmin são parecidos em muita coisa.

Parecidos em quê?

Nessa questão de família. O Geraldo e o Aécio são antagônicos em alguns comportamentos.

Quais?

O Geraldo é muito ligado à família, já o Aécio casou agora. Faz uma semana. Sinto também que, quando o Geraldo foi candidato à Presidência, o envolvimento de Minas na campanha não foi muito grande.

Acha que a simpatia de Alckmin por Campos é maior do que por Aécio?

O Geraldo vai seguir a orientação do partido, mas conheço vários tucanos que têm mais simpatia pelo Eduardo.

A Rede não vê com bons olhos a aproximação com Alckmin...

Quem está chegando agora da Rede não tem esse histórico e não está entendendo o momento. Fica parecendo que a aproximação é ideológica. É uma questão de estratégia.

Prevê um embate difícil?

Acho que não. Vamos encontrar consenso. Eles têm noção que entraram no nosso partido por um período. A Marina disse ao Eduardo que, nos Estados, a Rede vai até onde existe consenso. Depois disso, cada um faz o que achar melhor.

Você recebeu sinais do PSDB de que seria possível abrir o palanque para Campos?

Todos os parlamentares do PSDB com quem eu converso têm simpatia por essa tese. Se o Geraldo manteve o PSB no governo é porque, de alguma forma, ele também acha isso. Mas o Walter (Feldman) tem muita relação com o (Gilberto) Kassab (PSD). O ex-prefeito me disse que toparia abrir o palanque. O (Paulo) Skaf, que agora está no PMDB, também.

Dividir o palanque com Kassab ou Skaf é uma possibilidade?

Claro. O Skaf foi do PSB e saiu pela porta da frente. Toda a engenharia da criação do PSD foi feita conosco. Havia a possibilidade até de fusão. Mas a preferência é o Geraldo. A prioridade é fechar com ele.

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