'Não assumi o cargo por causa da relação política', diz diretor da Anvisa

Renato Porto, da Diretoria de Regulação Sanitária, minimiza relação com senador do PMDB; diretor de Gestão Institucional também diz que indicação não foi feita pelo PT

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2013 | 02h14

Entrevista com Renato Porto, diretor de Diretoria de Regulação Sanitária:

Quem indicou o senhor para a diretoria da Anvisa?

Esse processo nasceu no ministro da Saúde e depois foi passando pelas etapas naturais.

O senhor conhece o senador Eunício Oliveira?

Conheço, daqui de Brasília. Eu o conheço normalmente. Não tenho relação com ele.

Mas ele foi padrinho do seu casamento...

Minha esposa conhece bem a filha do senador, estudaram juntas. Não foi pela relação que eu assumi o cargo na Anvisa.

Mas não ajuda ter um padrinho de casamento líder do PMDB?

As vezes, até prejudica...

Depois que assumiu a Anvisa, o senhor esteve com o senador?

Não, imagina. Não tenho nenhuma relação com ele a ponto de ele ter alguma intimidade com isso.

O senhor seria diretor da agência não fosse o líder seu padrinho de casamento?

Essa ilação, na minha opinião, não é adequada. Eu sou o primeiro servidor a assumir uma diretoria na agência. O que mais está pesando para mim é eu ser o primeiro servidor da agência.

Por que sua sabatina foi tão rápida?

Foram seis dias e a do Ivo demorou quatro meses. Eu não sei. Não tinha qualquer domínio sobre isso. Inclusive, virei noite estudando.

Entrevista com Ivo Bucaresky, diretor de Gestão Institucional:

O senhor foi indicado para a diretoria da Anvisa pelo PT?

Eu tenho ligações com o PT, mas não fui indicado pelo partido. Fui indicado pelo ministro (Alexandre Padilha). Sou filiado ao partido desde 1987.

Mas o ministro é do PT, então...

É.

O vice-prefeito do Rio de Janeiro, Adilson Pires, que é do PT, ajudou na sua indicação?

Sim, é verdade. Sou muito próximo do Adilson.

A sua sabatina levou quatro meses e a do seu colega Renato levou seis dias. Por quê?

Eu acho que os senadores estavam negociando o bloco de nomeação das agências.

O senhor acha que se não fosse filiado ao PT chegaria a ser diretor da Anvisa?

Não sei dizer. Se eu não fosse filiado ao PT eu não sei o que eu estaria fazendo hoje profissionalmente.

O sr. acha que a filiação partidária influencia seu trabalho?

Como em qualquer órgão do governo, você tem uma questão política, uma visão de mundo a ser trabalhada de acordo com o governo que ganhou as eleições.

Como assim?

Se fosse um governo do PSDB eles teriam outra visão de como trabalhar nas agências. Na época do governo FHC, os diretores tinham uma visão mais neoliberal do mundo.

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