'Nada vai para baixo do tapete', diz ministro

Carvalho afirma que Polícia Federal não tinha autonomia com PSDB; FHC rebate

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2012 | 02h07

Em uma crítica ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) disse ontem que as operações da Polícia Federal - como a Porto Seguro, que desmantelou um esquema de compra de pareceres fraudulentos - só ocorrem hoje porque o governo não esconde "as coisas debaixo do tapete".

"As coisas agora não estão mais debaixo do tapete. A PF e os órgãos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com plena liberdade para agir. Não é uma autonomia que nasceu do nada, porque antes não havia essa autonomia. No governo FHC não havia. Agora há", disse Carvalho, em seminário em Brasília.

Apesar de não mencionar diretamente a última operação, Carvalho disse que as instituições podem hoje investigar e punir os envolvidos em corrupção, ao contrário, segundo ele, do que ocorria até 2002. "No governo Fernando Henrique não havia essa autonomia. Antes havia 'engavetador-geral da República' (em referência a Geraldo Brindeiro, procurador-geral da República entre 1995 e 2003). Com o presidente Lula começamos a ter um procurador com toda a liberdade", alfinetou, em resposta a críticas do ex-presidente aos governos petistas.

Segundo Carvalho, por causa da atuação firme da PF, do Ministério Público e da Controladoria-Geral da União (CGU), que resultam em condenações na Justiça, pode parecer que há mais corrupção. Mas o que haveria, segundo ele, é autonomia e independência das instituições.

"A PF, que é hoje cantada em prosa e verso por sua independência, só passou a ser independente no governo Lula e continua assim com a presidente Dilma (Rousseff)", disse. "A CGU nunca teve liberdade para agir como agora. Portanto, a impressão de que há mais corrupção agora não é real."

Fernando Henrique se irritou com as críticas de Carvalho e afirmou que o ministro não deveria dizer "coisas levianas". "Tenho 81 anos e tenho memória. Esse senhor deveria respeitar o passado e não dizer coisas levianas."

O tucano disse que, ao assumira Presidência, encontrou a PF desorganizada. "Consertamos tudo. No meu governo houve senador algemado (o paraense Jader Barbalho), se bem que acho até um exagero, e governador irritado pela invasão de gabinete (Roseana Sarney, do Maranhão, quando a PF descobriu cerca de R$ 1,4 milhão sem origem na empresa do marido, Jorge Murad).

'Gobierno'. No evento, Carvalho lembrou uma frase usada pelos setores que apoiavam o presidente chileno Salvador Allende, no auge da crise que provocou o golpe militar em 1973, para pedir aos movimentos sociais que mantenham o apoio ao governo. "Es un gobierno de mierda, pero es nuestro gobierno", disse. Depois, fez a ressalva: "Não estou falando isso do governo do Brasil".

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