Na TV, Dilma fala para mulheres e Aécio critica campanha 'na lama'

Na TV, Dilma fala para mulheres e Aécio critica campanha 'na lama'

Horário eleitoral da campanha petista mantém estratégia de comparar governos do PT e do PSDB; tucano ataca 'mentira anônima'

José Roberto Castro e Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 14h33

Atualizado às 16h55

São Paulo - O candidato à Presidência Aécio Neves acusou os petistas de levar a "campanha para a lama" por veicular, segundo ele, "mentira anônima". A declaração, feita no horário eleitoral da televisão da tarde desta terça-feira, 21, ocorre dias depois de as duas campanhas intensificarem os ataques pessoais em propagandas e debates. A presidente Dilma Rousseff (PT) manteve a estratégia de comparar os "modelos de governo" do PT e do PSDB e dedicou parte do programa para fazer sobre ações voltadas a mulheres e ao combate à violência doméstica.

Nesta tarde, as críticas à campanha petista vieram já no primeiro minuto do programa tucano. "Não tenho o menor problema em aceitar críticas, faz parte do jogo político. Mas quando a crítica se transforma em ataque e quando esse ataque se transforma em mentira e, mais grave ainda, quando a mentira é anônima, aí a campanha vai para a lama", afirmou, sem especificar a que ataque fazia referência.

A troca de acusações e ataques tem marcado o horário eleitoral de Aécio e Dilma, no rádio e na TV. Nessa segunda-feira, 20, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aumentou o rigor contra as duas campanhas e cassou parte do tempo dos candidatos. Para a Corte Eleitoral, os ataques contrariam o objetivo "propositivo" da propaganda previsto pela legislação.

Depois de lamentar as "muitas agressões" da campanha no 2º turno, Aécio disse que o governo de Dilma fez o Brasil "crescer menos do que a maioria dos países da América do Sul", "ter as maiores taxas de juros do mundo" e "a maior carga de impostos da história". No final, o programa mostrou obras da transposição do Rio São Francisco, com canais inacabados e uma repórter caminhou por um canal sem água. "Preste atenção no que Dilma falou no debate", dizia um locutor antes de a candidata do PT aparecer dizendo que as obras do São Francisco estavam "em pleno vapor".

Moradores da região reclamaram do atraso nas obras e o aumento nos gastos previstos - de R$ 4 bilhões para R$ 8,2 bilhões - foi criticado. "A promessa aqui era para em 2013 estar tudo pronto", afirmou um agricultor de Cabrobó, em Pernambuco.

Comparação de governos. A propaganda da presidente Dilma Rousseff voltou a criticar o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, apresentado pelo adversário Aécio Neves (PSDB) como ministro da Fazenda, caso ele seja eleito. Foi repetida uma fala de Arminio sobre o papel dos bancos públicos e declarações de Dilma em que sugere que o PSDB representa o "retrocesso".

A parte propositiva do horário eleitoral da petista tratou de políticas para as mulheres. Dilma prometeu criar a "Casa da Mulher Brasileira", um local que dará assistência a mulheres vítimas de violência doméstica. Ela lembrou ainda a sanção da lei Maria da Penha pelo ex-presidente Lula e a regulamentação do trabalho de doméstica, que foram apresentadas como avanços.

A campanha usou o resultado das últimas pesquisas de intenção de voto para abrir o horário eleitoral. No fim, após a apresentação de dados favoráveis ao governo, a presidente questionou o eleitor: "O outro candidato nega tudo isso. Ok, isso faz parte da disputa eleitoral. Mas você acha que o Brasil está melhor ou pior do que antes? Acha que os tucanos fizeram mais do que nós?", indagou a candidata à reeleição.

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