Na TV, Aécio fala em 'ampla discussão' do fator previdenciário

Na TV, Aécio fala em 'ampla discussão' do fator previdenciário

Após sinalizar em ato de campanha com sindicalistas que acabaria com mecanismo, candidato usa representantes de centrais em horário eleitoral e promete 'alternativa' para cálculo da aposentadoria

Lilian Venturini e José Roberto Castro, O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2014 | 15h05

Atualizado às 15h50

São Paulo - Horas depois de afirmar em entrevista que não prometeu o fim do fator previdenciário, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, usou o horário eleitoral da TV desta terça-feira, 23, para explorar a promessa de encontrar "uma alternativa" ao mecanismo de cálculo da aposentadoria. A lideranças de centrais sindicais, o tucano disse que fará uma "ampla discussão" sobre o tema, se for eleito.

Na sexta-feira, 19, durante ato de campanha em São Paulo com representantes sindicais - os mesmos que apareceram no programa da TV -, Aécio sinalizou o fim do mecanismo da base de cálculo da aposentadoria. A mudança é reivindicação antiga da centrais sindicais e o candidato do PSDB vinha sendo pressionado a incluir a proposta em seu plano de governo.

Na manhã desta terça, no entanto, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, o tucano disse que "jamais" prometeu o fim do fator e condicionou a criação de alternativas melhores aos aposentados à retomada do crescimento. “Eu não disse que vou acabar com o fator previdenciário. Eu me reuni com as centrais sindicais e meu compromisso é público. Assumi o compromisso de discutirmos uma alternativa ao longo do tempo ao fator previdenciário”.

Na propaganda exibida no início desta tarde, Aécio diz a lideranças das centrais sindicais que vai discutir alternativas. "O que nós vamos fazer é uma ampla discussão com o movimento sindical brasileiro para encontrarmos uma alternativa que substitua o fator previdenciário e não puna de forma tão cruel os aposentados", afirmou.

O fator previdenciário foi instituído no início do segundo governo Fernando Henrique Cardoso como uma medida para conter o crescente déficit da Previdência e prevê tempo maior de contribuição.

Ainda durante o programa eleitoral, Aécio fez críticas à política econômica do governo federal, mencionou novamente as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobrás e repetiu ataques à candidata Marina Silva (PSB).

Filha de Chico Mendes. A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, não citou nenhum de seus adversários e abordou no programa o direitos das pessoas com deficiência. Ao final, no entanto, a campanha  petista mostrou depoimentos de apoiadores e entre eles estava Ângela Mendes, filha de Chico Mendes que declarou apoio à petista. "Não vemos nenhum outro candidato capaz de fazer as mudanças que a juventude precisa, que os povos da floresta precisam", afirmou.

Foi ao lado de Chico Mendes, líder seringueiro assassinado em 1988, que Marina Silva começou sua trajetória política no Acre. A figura do ambientalista é frequentemente relembrada pela ex-ministra.

'Velha política'. Marina repetiu as críticas à "velha política" e fez críticas indiretas principalmente ao governo Dilma, com menções a "autoridades que cuidam somente dos interesses dos grupos que dominam aos partidos" e distribuição de "cargos e ministérios em troca de mais tempo no horário eleitoral". "Nosso interesse não é derrotar a qualquer custo, é mudar a política", afirmou Marina.

Ao final, Marina reapresentou propostas, como o ensino em tempo integral e o passe livre para estudantes de escolas públicas. Marina apareceu caminhando em uma floresta e falando sobre espécies nativas, como a biorana, já citada pela candidata em outro programa como uma árvore aparentemente frágil, mas resistente. Além de propor a criação do Conselho Nacional de Mudanças Climáticas, a ambientalista falou em reduzir o desmatamento, aumentar a área de florestas plantadas e acabar com os lixões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.